O XII Festival de Poesia da Vila

Escola da Vila
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Por Luisa Furman, coordenação do Setor Cultural

Reconfortante e alentador foi o que mais se ouviu sobre o XII Festival de Poesia, protagonizado por alunos e alunas de Fundamental 2 e Ensino Médio, no dia 20 de outubro.

Funcionários, famílias, convidados e estudantes se emocionaram assistindo a declamações surpreendentes e sensíveis de quem teve coragem de subir ao palco naquele dia.

Os membros do júri de poesia falada e escrita, profissionais da literatura e do teatro, declararam ter dificuldade para escolher os vencedores, tamanha a qualidade das produções.

Os poemas de teor político deram o tom este ano, como não poderia deixar de ser, considerando como nossos alunos são atentos, críticos e reflexivos. Mas não ficaram de fora os de amor, de humor, os melancólicos e os existencialistas.

Os grupos de teatro do Fundamental 2 e do Ensino Médio apresentaram fragmentos dos textos em que estão trabalhando ao longo do semestre, propondo um terreno de embate entre teatro e poesia.

A peça “Refugo”, de Abi Morgan, usa da narrativa épica para abordar a realidade dos jovens refugiados que perderam suas famílias na busca por uma vida melhor, em terra estrangeira. Os alunos de F2 se colocam na pele de adolescentes, como eles, que somam as questões próprias da idade ao fato de estarem longe de casa.

Já em cena da peça “Relatos Cegos”, os alunos do EM mesclaram textos de Drummond e Saramago para trazer  ao palco as aflições de uma sociedade à beira do abismo, vivendo o caos da falta de informação e de esclarecimento, representados por uma cegueira metafórica.

Ambos os textos abriram a possibilidade do diálogo com a plateia, propondo uma reflexão sobre as complexidades políticas do nosso tempo. Porque, como dizem os alunos, “fazer teatro e recitar poesia são, também, formas de fazer política”.

Também gostaria de destacar os mestres de cerimônia, que fizeram um excelente trabalho organizando as apresentações e animando o público, com muita propriedade.

Parabenizamos especialmente os vencedores dos concursos! A sensação que ficou é que fomos todos premiados com tanta poesia e beleza e a certeza de que a expressão, a literatura e a cultura são valores inegociáveis para nossa comunidade.

Vencedores do concurso de poesia escrita:

Categoria A – alunos de 6º a 8º ano F2

1° lugar
Vamos conversar, de Marina Zilles, 8º ano

2° lugar 
Sem título, de Cecília Pereira Rona, 8º ano

3° lugar
O trajeto, de Lara Campos de Almeida Monteiro, 7º ano

Categoria B – alunos de 9º ano F2 ao 3º ano EM

1° lugar
Fotografia 08-10, de Lua Bonduki, 3º ano

2° lugar
Ponto de Vista, de Bento Sipahi, 9º ano

3° lugar
Legado Covarde, de Luana Neinstein Pereira, 9º ano

Menção honrosa
Ruído, de Valentina Oliveira, 3º ano

Vencedores do concurso de Poesia Falada:

Categoria A - alunos de 6º a 8º ano F2

1º lugar
Beatriz Provezano, Isabel Bertolini, Violeta Leonel, Joana Barros, Giulia Fonseca, Paula Lopez, 6º ano
Poema Feministas, de Giulia Fonseca Rosa e Silva

2º lugar
Marina Fedrizzi Zilles, 8º ano
Poema A mesma gente, de sua autoria

3º lugar
Nicolas Fernandes Leite, 8º ano
Poema Trump e o mundo atrás das grades, de sua autoria

Menção honrosa
Giulia Helena Soares Dardé e Emanuela Botelho Matias, 6º ano
Poema Uma surpresa, de Maria Luiza, Clara, Giulia e Emanuela

Categoria B - alunos de 9º ano F2 ao 3º ano EM

1º lugar
Bento Sipahi Pires Gonçalves dos Santos, 9º ano
Poema Preto também humano, de autoria sua autoria

2º lugar
Teresa Marques de Sousa, 2º ano
Poema Mulheres negras, de Yzalu

3º lugar
Mariana Carreira Behrend – 3º ano
Poema A flor e a náusea, de Carlos Drummond de Andrade

Menção Honrosa

Tiago Costa Soriano, 9º ano
Poema Perigo constante de contágio, de sua autoria

Luana Neistein Pereira, 9º ano
Poema Divóricio do Tempo, de sua autoria

Categoria C – funcionários, ex-alunos e famílias Vila

1º lugar
Juliana Giannini, Luiza Moraes, Natália Zuccala, Isabela Pires, equipe de Língua Portuguesa e Literatura
Poema Cantiga de enganar, de Carlos Drummond de Andrade

2º lugar
Median Aurea Trigo Grotti Vidal Costa, telefonista
Poema Arácne, de Manuel Bandeira

3º lugar
Estella Rona Garib, estagiária de Língua Portuguesa e Literatura
Poema A morte do leiteiro, Carlos Drumond de Andrade

 

Alunos da Escola da Vila visitam o maior empreendimento científico da história brasileira

Escola da Vila
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Por Alex Brilhante, professor de Ciências Naturais e Física

Apesar dos cortes drásticos de orçamento para a ciência, desde 2015 o Brasil vem construindo o seu mais grandioso projeto científico: o Sirius, um imenso acelerador de elétrons que será uma das melhores máquinas do mundo no gênero, possibilitando a realização de experimentos na fronteira do conhecimento e atraindo pesquisadores internacionais.

Com previsão de entrada em funcionamento já em 2019, o Sirius tem como peça central uma circunferência de mais de 500 metros, onde os elétrons chegam a uma velocidade próxima à da luz. Ao realizarem a curva ao longo da circunferência, os elétrons emitem radiação eletromagnética, ou seja, luz. As particularidades da luz emitida pelo acelerador permitem a observação em escala molecular e atômica de diversos tipos de materiais, de semicondutores a fósseis, o que faz dessa máquina um instrumento versátil e estratégico para pesquisas em áreas tão diversas, que vão de nanotecnologia a biociências.

A construção do Sirius não é uma mera aposta grandiosa, esperando por resultados incertos. Desde 1997 o Brasil já conta um grande acelerador de elétrons, o acelerador do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, que talvez seja o nosso empreendimento científico mais bem-sucedido até o momento. Trata-se de um laboratório nacional, ou seja, aberto para pesquisadores de todo o Brasil e do mundo, que já recebeu milhares de pesquisadores ao longo de suas duas décadas de funcionamento. O Sirius é “apenas” um upgrade de mais de 1 bilhão de reais em uma experiência científica de sucesso.

Na semana passada, alunos de nono ano do Ensino Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio – acompanhados por Regis Neuenschwander, da Divisão de Engenharia do LNLS – tiveram a oportunidade única de observar, de dentro da construção, como funcionará o futuro acelerador de partículas. Assim que a construção terminar, não será mais possível entrar nos meandros do acelerador. Além de visitar a construção da nova máquina, nossos alunos visitaram a máquina que está atualmente em funcionamento e aprenderam como essas máquinas produzem imagens em escalas moleculares e atômicas, além de terem visitado os demais laboratórios que compõem o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas.

Nossa iniciativa, ao mesmo tempo que tem por objetivo aproximar nossos alunos da ciência nacional – mostrando as áreas de pesquisa em que temos uma tradição de produção científica de qualidade para, quem sabe, estimular alguns alunos a enveredarem no mundo instigante da pesquisa científica –, é também o nosso reconhecimento da importância da ciência na construção de uma nação, importância nem sempre divulgada propriamente. Dados de uma pesquisa sobre a percepção pública da ciência e tecnologia no Brasil, publicada em 2015 pelo Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), nos mostram que apesar da atitude altamente favorável à ciência manifestada pelos brasileiros, apenas 12% dos entrevistados pela pesquisa conseguiu se lembrar de alguma instituição científica brasileira, número bastante pequeno mesmo se comparado a países com uma trajetória científica similar à nossa, como a Argentina, por exemplo, em que 25% dos entrevistados sabiam nomear alguma instituição de pesquisa.

Sabemos que a produção científica é uma atividade cara e, em grande medida, custeada por todos. Se a produção científica nacional não for divulgada adequadamente, nada garante que a sociedade civil veja sentido em seguir apoiando a ciência e os cientistas brasileiros.

Educar em tempos de cisão

Escola da Vila

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Por Fermín Damirdjian, orientador educacional do Ensino Médio

A cada ano, um grupo de alunos da Vila viaja à Argentina e permanece em convivência com outros alunos de uma escola parceira, não sem antes estudar ao longo do ano as características sociais, históricas, culturais e políticas daquele país. Em grande parte das vezes, nossos alunos investigam, intrigados, as origens da grande cisão que parte o país em dois, de acordo com a orientação política de cada setor, comunidade, família ou indivíduo. Voltam sem uma resposta, mas com a dúvida mais consistente, e conseguindo pensar mais a esse respeito. Se há um país neste continente que entenda de viver cindido, esse país é a Argentina.

Neste ano, porém, algo foi diferente. Estávamos lá durante as eleições de primeiro turno no Brasil. Já na segunda-feira, os olhares que nossos alunos receberam pelos colegas da escola hermana eram de permanente assombração, quase um fascínio. Já estavam ao tanto que um candidato da extrema direita estava pleiteando a presidência do vizinho gigante e admirado. Admiração oriunda de suas praias, de sua música e de seu futebol, mas também por uma trajetória política e econômica um tanto invejável, a julgar especialmente por sua estabilidade. Em comparação à Argentina, as crises brasileiras são verdadeiras marolinhas inevitáveis ao mundo globalizado.  Assemelham-se mais a corrosões lentas e persistentes, com alguns momentos de rearranjo, do que às explosões sociais e econômicas que caracterizam a história argentina. Isso, é claro, visto a distância e com certa idealização.

Ocorre que, de uns anos para cá, com uma presidente deposta e um ex-presidente preso, os argentinos também começaram a tecer opiniões e a encontrar um terreno fértil para tomar partido a respeito dos protagonistas da disputa política no vizinho gigante. O ápice disso foi a configuração da eleição presidencial atual. Por isso o espanto e o fascínio, quase uma inveja, de como seria possível o alcance de uma conjuntura tão dramaticamente polarizada.

Se a “Macrise” argentina deixava os peronistas confirmando a desgraça já prevista que recairia sobre o país sob o comando de Mauricio Macri, para os partidários do atual presidente tudo é resultado da governante anterior, a quem se referem com apelidos depreciativos e machistas. O Brasil, porém, conseguiu superar com um golaço de fora da área essa disputa sobre a qual os argentinos certamente viam assegurada sua hegemonia desde o advento do peronismo, nos anos 50, e acirrada por intermitentes ditaduras que tentaram anulá-la, mediante métodos repressivos de dar inveja aos nazistas.

Nossos alunos, então, na segunda-feira, 8 de outubro de 2018, eram uma pérola circulando pelo Colegio de la Ciudad. E nada melhor do que convidá-los para uma roda de conversa durante a tarde, para que explicassem aos argentinos com quais jogadores, técnico e estratégia estavam conseguindo tamanha goleada.

Foi necessária uma lousa para que os representantes vilanos explicassem, com a devida parcimônia e atenção didática, como se compunha a situação em campo. A lousa, é claro, foi dividida em dois, a fim de esclarecer as características de cada protagonista. Em cada setor, um breve histórico do candidato, seus vínculos, sua história. O relato tinha sido ensaiado algumas horas antes. Afinal, é preciso municiar-se de informações mais precisas. Quando se está dentro de uma situação, toma-se como pressuposto uma série de saberes que, muitas vezes, são apenas percepções subentendidas, e antes de transmiti-las é preciso checá-las. Essa é a grande riqueza de formular um relato. Mais ainda em terra estrangeira. E mais ainda se seu público já é bem informado, como era o caso.

Intuitivamente, nossos alunos trouxeram à tona algumas bases teóricas que fazem parte de seu repertório escolar. Os quatro princípios da construção de um mito salvador, personificadas em um líder, formulados por Lená Medeiros em seu ensaio “A sacralização do profano[1]“, são exemplo disso.

A discussão se desenvolveu bem, com o idioma de cada um dos nossos sendo posto à prova, na mesma medida que sua capacidade de análise. Descrever e analisar são duas propostas diferentes, que podem se diferenciar, mas nunca se descolar cirurgicamente uma da outra. É um baita exercício. Como esse jogo pode se dar para todos nós? E para adolescentes? E para as crianças?

Muitos depoimentos poderiam surgir aqui, assim como muitas análises. E poucas respostas. O que sabemos é que a atual conjuntura é marcante. Lembro-me, quando criança, de um clima tenso e escuro, na Argentina dos anos 70. Adultos sisudos, o ar denso, palavras proibidas, uma população visivelmente aterrorizada. Em espaço público, não se falava. Era tenso, portanto, andar com crianças. Em um trem lotado, certa vez, meu irmão, um permanente tagarela, perguntou em altíssimo volume: “Mamá, Videla es bueno??”. Responder que sim ou que não era ganhar inimigos imediatos. Minha mãe enfiou um alfajor na boca do pirralho e saímos do trem na primeira estação que apareceu. Não havia outras respostas possíveis.

O que podemos oferecer nos dias de hoje? A situação torna-se difícil, pois as bases políticas expostas consideram pontos que, para muitos de nós, são intocáveis. Seja pelo que já foi visto em governos anteriores, seja pelo que os partidos que buscam estrear no poder executivo propõem. Como combater o que cada um entende como essencial ao país? Seria avançando sobre tudo aquilo que possa ameaçá-los, ou mostrando resistência? Propor a discussão ou fechar trincheiras? Se essas possibilidades já geram muita controvérsia entre os adultos, é preciso mostrar algum caminho para crianças, adolescentes, jovens. Não esperamos estar todos alinhados dentro disso. Pode-se estar do mesmo lado político, inclusive, mas discordar profundamente entre famílias, escolas, educadores, sobre que postura adotar e como orientar.

Em todo caso, é preciso criar espaços para pensar. Ler, discutir – e muito. O âmbito comum permite a elaboração. Assumir uma posição e ficar sozinho com ela, na atual conjuntura, seria o pior dos mundos. Sendo assim, se é possível conversar sobre isso na mesa do jantar, nas assembleias em sala de aula, no recreio, no parque, onde for, tanto melhor.

O maniqueísmo é uma ferramenta útil que brota com facilidade em momentos de crise, e crianças e adolescentes têm forte tendência a dividir o mundo em dois, ou em poucos aspectos. Em época de eleição, todo candidato assume que o melhor lado é o dele, e promove essa ideia. Sendo assim: quando os agentes políticos configuram uma situação de maniqueísmo antagônico, como oferecer a crianças e adolescentes uma compreensão do mundo que se dê pela via do pensamento, da ponderação, da análise? Não queremos parar na próxima estação com um chocolate na boca. Sugestões são bem-vindas.


[1] Publicado em “História e Religião”. Lana Lage de Gama Lima et al. Rio de Janeiro, FAPERJ: Mauad. 2002.

A diversidade extrapola os muros das classes

Escola da Vila

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“Si hay algo semejante en todas las aulas, es precisamente que en todas reinan las diferencias.” Delia Lerner

 Por Angela de Crescenzo e Julia Narvai, Orientação Educacional do Fundamental 2 

Todos temos distintos tempos para aprender, mas a escola, de uma forma geral, quer que todos aprendam ao mesmo tempo, da mesma forma, o mesmo conteúdo. Essa questão é sempre motivo de reflexão na Vila, novas formas de agrupamentos são pensadas e experimentadas e o GEPE – Grupo de Estudos de Produção Escrita surge como mais uma iniciativa nesse sentido.

Um dos temas norteadores de diversas ações institucionais da Vila em 2018 é o atendimento à diversidade. A escola já realizou, este ano, uma série de reuniões pedagógicas dedicadas ao tema, para nossa equipe interna, e também vem atuando na formação de profissionais de outras escolas e na formação da nossa comunidade escolar – como a viagem pedagógica internacional para Buenos Aires e uma reunião de famílias cuja pauta foi a diversidade.

Entre tantas outras ações realizadas, inauguramos no 1o trimestre um projeto piloto para o Fundamental 2 na Unidade Morumbi: o GEPE. Emilia Ferreiro diz que cabe à escola “transformar la diversidad conocida y reconocida en una ventaja pedagógica” e para isso é preciso criatividade, pensar em novas formas de ensinar, de acolher as diferenças existentes. O grupo se reúne uma vez por semana e tem por objetivo favorecer o vínculo positivo dos alunos com as aprendizagens que envolvem leitura e escrita, além de criar mais condições para que se sintam confiantes dentro e fora da sala de aula.

No GEPE, a diversidade é justificativa, método e objetivo. Temos um grupo multisseriado, composto por alunos de 6o a 9o ano, com diferentes trajetórias escolares. Uma das principais estratégias que utilizamos é proporcionar a interação intencional desses alunos, ao constituir um novo grupo, de modo que possam assumir papéis diferentes do que estão acostumados a exercer. Para nós, o mais importante é que os papéis se alternem: queremos que um mesmo aluno possa vivenciar o lugar de quem sabe e de quem aprende, sabemos que quando o aluno está no lugar de quem ensina também aprende muito, pois, ao fazer esse exercício, precisa reorganizar o que sabe e, assim, ensinar o colega.

Outro ponto importante é que estamos constantemente dialogando com as aprendizagens propostas nos cursos regulares de cada série, apesar de não abordar os mesmos conteúdos trabalhados em sala de aula. A partir do repertório criado ao longo de toda a escolaridade dos alunos, da apreciação dos contos escritos pelos alunos de 8os anos de séries anteriores e da proposta de leitura de uma resenha crítica sobre um livro de contos, os alunos foram convidados a produzir livremente um conto. Esse é o depoimento que recebemos de uma aluna do 6o ano que está estudando contos fantásticos em sala de aula e vindo ao GEPE: “Neste trimestre eu amei o tema que a Ju e a Angela propuseram porque fiquei superinteressada e empolgada para escrever meu conto sobre uma menina que não tinha condições financeiras para estudar em uma escola particular. Foi um dos textos que ficou mais longo e mais bem escrito por mim!! Esse foi um projeto muito legal e interessante, porque lemos textos feitos por alunos de anos anteriores, fizemos contos e revisões. Todo esse processo me ajudou a ter novas ideias para escrever meus contos fantásticos em sala de aula. Foi uma boa ideia a escola criar esse projeto!!” F. M. 6o ano

Foi estudando os documentos argentinos e por meio das contribuições da última viagem internacional que encontramos sustentação para desenvolver esse trabalho. Uma publicação do Ministério da Cultura e da Educação da Argentina propunha, já em 1986, que “para dar respuesta a la diversidad cultural y lingüística, no había que atender de manera especial a “los diferentes” sino modificar las actividades escolares para todos los alumnos (…) Esto suponía producir algunos cambios en la organización de la escuela y, sobre todo, suponía crear instancias periódicas en las que se invertían los papeles en relación con el poder lingüístico”. (El fracaso escolar no es una fatalidad).

Do ponto de vista do professor e da escola, quando pensamos em agrupamentos flexíveis também temos que fazer um exercício de propor atividades que atendam a diversas cronologias de aprendizagem, isso supõe construir um novo saber pedagógico.

Outra preocupação é que os alunos que estão trabalhando em pequenos grupos no contraturno (GEPE) levem informações e produções para os demais, pois assim estarão sendo validados como grupo que sabe e está produzindo saber.

Além dessa estratégia, também temos promovido durante os encontros o trabalho com produções escritas que extrapolam os temas discutidos e trabalhados em sala de aula a fim de ampliar o repertório cultural e a reflexão sobre temas do mundo. A discussão e a produção escrita que os alunos fizeram a partir das leituras do texto “Todo mundo cresce igual?”, postado no blog Capitolina, e “Vida perfeita só existe no Facebook”, da revista TPM, foram bastante positivas na nossa avaliação. Trazemos temas que são presentes na vida deles, que fazem parte das reflexões da faixa etária. Um aluno do 8o ano nos deu o seguinte depoimento: “O GEPE é outra oportunidade de melhorar. No GEPE não são abordados apenas os temas estudados dentro da matéria de LPL, como a matéria de LPL no geral. É interessante essa troca de conhecimentos entre alunos de diferentes séries, porque isso ajuda a expandir o conhecimento de cada aluno, já que cada um tem um discernimento diferente sobre a matéria de LPL e pode contribuir para ampliar o aprendizado do próximo. Fizemos uma atividade interessante que consistia em ler um texto e analisar as diferentes interpretações que esse texto propõe sobre a ideia de crescer. Cada um também pôde dar a sua opinião sobre a sua maneira de entender o que é crescer.” R.G. 8o ano

No GEPE a avaliação é constante, por meio da troca entre eles e da nossa observação e análise das produções e da participação dos alunos. Assim, conseguimos dimensionar os avanços nos procedimentos e nas produções. Da mesma forma avaliamos constantemente o próprio projeto para que cumpra cada vez melhor com seus objetivos. Sabemos que aprender não é um processo simples, mas os depoimentos abaixo demonstram entusiasmo com a iniciativa e com algumas das conquistas já observadas por eles.

“O GEPE me ajudou porque, conversando com um colega que já havia passado pela experiência de produzir contos no ano anterior, consegui perceber que eu havia colocado detalhes na história que já haviam sido citados no começo do texto, e achei essa ajuda muito legal.” B. G. 8o ano

“Estou achando muito legal o GEPE!!! Ele está me ajudando muito com escrita de texto e além disso o GEPE é muito legal e divertido” N.M. 6º ano

O GEPE para mim é uma oportunidade de poder melhorar… Apesar de parecer com o SMA, eu acho que é bem diferente, porque lá no SMA costumamos estudar uma matéria que estamos vendo, especificamente a matéria de cada trimestre. Já no GEPE nós vemos temas mais gerais e que não só ajudam temporariamente para uma matéria, mas sim para boa parte delas, visto que há alunos do 6º ao 9º ano juntos estudando um mesmo tema. Por isso acho que o GEPE ajuda bastante com o estudo, seja para o 6º, o 7º, o 8º ou para o 9º.” T.T. 9o ano 


Referências

LERNER, Delia. Enseñar en la diversidad. Conferencia dictada en las Primeras Jornadas de Educación Intercultural de la Provincia de Buenos Aires: “Género, generaciones y etnicidades en los mapas escolares contemporáneos”, 2007.

TERIGI, Flávia. As cronologias de aprendizagem: um conceito para pensar as trajetórias escolares. Conferência realizada em 23 de fevereiro de 2010 na Jornada de abertura do ciclo letivo de 2010 – Ministério de Cultura e Educação – Governo de La Pampa. Tradução: Miruna Kayano Genoino, 2017.

VilaConversa: encontros, trocas e reflexões

Por Fernanda Flores, direção pedagógica

Esta semana, encerramos o Ciclo de Palestras VilaConversa com a vinda da Dra. Julieta Jerusalinsky abordando a temática das intoxicações digitais vividas pelo mundo adulto interferindo na construção das relações interpessoais tão próprias da infância, da juventude e da vida humana.

As contribuições dos cinco encontros realizados este ano foram muitas. A interação dos palestrantes convidados com as famílias presentes, a contribuição dessas conversas para que todos, família e escola, tenham mais elementos de reflexão e contrapontos a elaborar na desafiadora experiência de educar crianças e jovens.

Alcançamos nossos objetivos ao propor esses encontros: trazer à mesa de conversa temas difíceis, para os quais não temos respostas prontas, e que somente o diálogo consistente pode trazer caminhos possíveis para sua compreensão.

Lembrando os encontros que tivemos, destacamos alguns pontos centrais de cada um deles para que oportunamente possam assisti-los, todos filmados e disponíveis no canal de YouTube da Escola da Vila.

Escola da Vila

Julieta Jerusalinsky trouxe uma profunda análise acerca da descontinuidade produzida pela era digital nos modos pelos quais estabelecemos laços sociais e nas formas discursivas de sustentarmos subjetivamente as experiências, levando-nos a interrogar sobre qual rede sustenta o sujeito contemporâneo no balanço entre o público e o privado, entre o lazer e o trabalho, entre a realidade e a ficção, ao ser e estar lançado virtualmente na web.

Escola da Vila

Claudia Aratangy reforçou o que nossa escola pratica e defende como valor da formação literária das novas gerações. No encontro sobre Leitura de literatura: um caminho para conexão e pertencimento, ela destacou o poder das narrativas e o entrelaçamento dos enredos em diversas histórias, contos, como forma humana de compartilhar emoções e de conectar-se com o passado, para viver no hoje e projetar os futuros próximos.

Escola da Vila

Ilana Katz, analisando o tema Os adultos, as crianças e suas políticas, trouxe importante contribuição para pensarmos o papel da ocupação e do uso da cidade como forma de estar pública, coletiva, política, que comunica aos jovens e às crianças sobre quem somos, onde estamos e como podemos viver juntos. 

Escola da Vila

Alexandre Feldman, em Sono: acorde para a vida, destacou para uma audiência muito interessada as relações tão estreitas entre sono e bem-estar geral, esclarecendo aspectos que leigos desconhecem sobre os mecanismos do sono e a responsabilidade que este tem na saúde das pessoas, saúde física e sobretudo psíquica.

Escola da Vila

André Trindade, com a temática O corpo na infância e na adolescência: desafios da educação contemporânea, tratou da importância de valorizarmos o corpo nas práticas vividas na escola não somente nas aulas de educação física, mas também nas posturas adotadas para o trabalho e nos momentos de contemplação e relaxamento, olhar para postura e corpos das crianças e jovens passa a ser imperativo em tempos de experiências virtuais mais frequentes.

É nossa convicção que esses encontros são essenciais na criação de oportunidades para o encontro, para a conversa, para a troca de experiências e visões sobre temas que nos afligem como educadores. Seguiremos assim, pois entendemos que essa é uma responsabilidade da escola.

Voltamos ano que vem, com novas propostas e temas sugeridos pela comunidade Vila!

Sobre o já famoso Simpósio Interno da equipe da Vila

Escola da Vila

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Por Sonia Barreira, direção geral da Escola da Vila

No próximo sábado, dia 6 de outubro, toda a equipe pedagógica da Escola da Vila estará reunida na unidade Granja Viana para dar início ao 15º simpósio interno.

Desde a sua fundação, a equipe da Vila instaurou em sua cultura de trabalho a elaboração de textos reflexivos por parte dos professores. Já publicamos neste espaço um conjunto de textos que explicitam como essa atividade dá vida a certos valores fundamentais da nossa instituição. Vale a pena a leitura!

Simpósio Interno da Escola da Vila

Simpósio interno… “Pra que isso, meu Deus?”

Simpósio 2013: mais um desafio instigante!

O sentido da reflexão sobre a prática pedagógica: compartilhar e avançar coletivamente.

Neste ano, os trabalhos versam, em sua maioria, sobre os esforços da equipe para entender, melhorar e produzir conhecimento sobre “o atendimento à diversidade na escola”.

Muitos artigos são relativos às experiências realizadas com os grupos interséries, que mostraram ser um importante mecanismo para fugir da padronização dos agrupamentos por idade e favorecer interações dinâmicas entre os alunos.

Há trabalhos que buscam justificar as modificações realizadas em sequências didáticas para poder atender melhor aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos de um mesmo grupo. Outros aprofundam a análise sobre as formas de recuperação que promovemos com os alunos maiores.

Alguns educadores vão mostrar suas hipóteses de trabalho por meio de estudos de casos individuais. Há aqueles que vão analisar novos projetos de intervenção na realidade e abordagens mais globais e menos conteudísticas.

Há diversidade, profundidade, conclusões, mas, também, questões abertas, indagações e provocações para que nossa equipe siga curiosa, cooperativa e comprometida com a produção de conhecimento pedagógico.

Parabéns a todos pelo esforço e pela valorização da reflexão profissional escrita!

Eleições: qual o papel dos educadores e da escola?

Escola da Vila

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Sonia Barreira, diretora da Escola da Vila, coordenou a elaboração deste texto, que foi escrito a muitas mãos por membros da equipe técnica de F2 e EM

O assunto “Eleições” invade a escola por todos os lados possíveis: nas aulas, no recreio, na entrada e saída. Os pais comentam entre si, procurando conhecer um pouco mais sobre a família dos amigos de seus filhos; os alunos questionam os professores em busca de pistas sobre seus votos; os professores debatem suas tendências na sala dos professores; todos comentam, analisam, fazem suas predições sobre o futuro!

A escola é parte da sociedade e, como tal, repercute fortemente seus temas, polêmicas, preocupações. Atualmente, com as inevitáveis narrativas construídas nas redes sociais há, além do posicionamento sobre os fatos da realidade, uma análise diária sobre as representações dessa mesma realidade que proliferam no Twitter, Instagram e Facebook. Fake news, pós-verdade, mentiras completas, e tudo o mais misturado com notícias, análises, opiniões, interpretações variadas.

Mas qual o papel da escola contemporânea nesse processo? O que deve fazer para responder, adequadamente, a seu propósito maior: formar os novos membros da sociedade, cidadãos participativos e críticos? Deve conduzir, interferir, mediar ou ignorar a questão política? Em outros termos, política é algo a ser ensinado na escola?

Para o famigerado movimento “Escola sem Partido” – professores que acolhem essa demanda, de preparar os alunos para a vida política, o fazem acima de tudo para fazer proselitismo político ou a famosa “doutrinação”. Para os adeptos dessa proposta, o ideal é a “neutralidade”. Os professores deveriam se ater a fatos e informações, nada mais. Ou, no máximo, expor – sem posicionar-se ou promover debates, as várias visões sobre um dado tema.

Mas as escolas que enfrentam o desafio de formar cidadãos críticos, analíticos, autônomos e implicados sabem que não basta informar. Não restringimos nosso papel social a um repositório de materiais. Não nos vemos como um banco de dados neutro e impessoal. Não entendemos que a missão da escola se restringe a transmitir conteúdos, fatos, informações. É necessário favorecer a capacidade de pensar, discernir e dialogar. Para nós, o professor deve se implicar, ser ele próprio um ator reflexivo, questionador e crítico dos processos que ensina. Em outros termos, não se pode pretender que os alunos tenham autonomia intelectual se o professor não puder igualmente exercer a sua autonomia.

O professor deve ensinar ao aluno que a neutralidade não existe integralmente, pois qualquer recorte de fatos e conceitos é realizado a partir de uma visão de mundo, de interpretações e representações conceituais complexas, as quais, querendo ou não, revelam ideologias, posicionamentos políticos, crenças e convicções pessoais e profissionais.

Poderíamos pensar, por exemplo, em debates que não necessariamente se atenham às ciências humanas, alvos frequentes de críticos do suposto dogmatismo, e olhar para as ciências naturais. O que pode ser melhor para nosso país como matriz energética? A energia nuclear, hidrelétrica ou eólica? E o que podemos pensar sobre a exploração de reservas de petróleo? Devem ser feitas com alguma regulação estatal? A delegação de setores na cadeia extrativa pode ser mais produtiva para a economia do país e para o meio ambiente? São questões que envolvem conhecimento técnico, sem dúvida, mas que são inseparáveis da realidade política e econômica do nosso país. Seria um equívoco pedagógico promover um debate entre os alunos, subsidiados com o devido material teórico para alimentar a discussão? Seria preciso, necessariamente, chegar a um consenso nesse debate?

Outro exemplo interessante da neutralidade impraticável, valeria perguntar, no caso da colonização, deveríamos mostrar os dois lados? Do colonizador e do colonizado? Sem nenhuma validação desta ou daquela visão histórica? E no caso no nazismo? Deveríamos fazer o mesmo?

Se a neutralidade é questionável, como evitar, então, o que hoje tantos temem, a famosa doutrinação? Como minimizar, como querem alguns, a influência da visão de mundo dos educadores, na construção de pontos de vista por parte dos estudantes?

Seria importante lembrarmo-nos – antes de mais nada, de nossa própria adolescência e juventude, possivelmente cercados de posições antagônicas, na família, escola, amigos, como pudemos adquirir a capacidade de pensar por nós mesmos? Qual o papel dos nossos professores, colegas e familiares nesse processo? E aqueles adultos que conhecemos que reproduzem pensamentos alheios, que se agarram a dogmas e verdades incontestáveis, que não alteram sua maneira de pensar nem contra evidências indiscutíveis? Qual teria sido a influência de seus colegas?

A autonomia não pode se instaurar a partir de proibições ou regulamentações estritas sobre a atuação do professor. O pensamento crítico não pode ser construído a partir da imposição de regras de condutas, e um currículo fechado, inflexível, repleto de verdades incontestáveis.

É óbvio que a propaganda política partidária não deve encontrar espaço na sala de aula, mas o posicionamento individual não precisa ser escondido, mesmo porque, em qualquer equipe pedagógica, sempre há diferenças e os alunos podem e devem lidar com a diversidade de pontos de vista. O professor precisa mostrar, a partir de ações concretas, que ele mesmo é um ser social, implicado, reflexivo, que assume posições, faz autocríticas e busca uma sociedade melhor.

É preciso apostar no diálogo, no debate e, acima de tudo, na capacidade dos jovens de duvidar, relacionar, comparar e PENSAR por si mesmos. Portanto, cabe à escola a formação política ampla – aquela que promove o entendimento por parte do aluno, do funcionamento da democracia; aquela que promove a implicação no que se refere a questões que afetam seu país, a população de um modo geral, a cidade onde vive, a escola que frequenta. Uma formação que estimula o posicionamento, e não a alienação. Queremos jovens que se sintam capazes e que entendam que se importar, querer agir, estar implicados são ações políticas! E que disponham de ferramentas para fazê-lo com fundamento e respeito à diversidade de opiniões.

Em nosso projeto pedagógico, essa formação política tem espaço em ações regulares, tais como as práticas de assembleias de classe que visam facilitar uma vivência e reflexão sobre os valores democráticos e a vida coletiva. Nas aulas diárias, nas quais a equipe procura tratar, sempre que possível, a relação dos conteúdos disciplinares com acontecimentos relevantes fora da escola. E no currículo tal como é proposto, que busca constantemente a reflexão, a construção de hipóteses e a intervenção na realidade por parte dos alunos. Há também iniciativas importantes dos próprios alunos que se reúnem e formam coletivos de debate (Coletivo Preto, Coletivo Feminista, Coletivo Cultural, Grêmio), nos quais aprendem a colocar sua voz, expressar ideias e realizar ações coletivas que efetivamente buscam mudanças no núcleo social no qual vivem.

Projetos que contam com a adesão espontânea dos alunos de Fundamental 2 e Ensino Médio também ampliam a capacidade de nossos jovens de conhecerem outras realidades e buscarem, juntos, intervenções propositivas, tais como o Vilativa e o Grupo de Direitos Humanos.

Em épocas de eleição há também eventos ou situações pontuais: a discussão entre candidatos de diferentes partidos; palestras que ajudam a compreender como são feitas as pesquisas de opinião que determinam a tendência dos votos; eventuais simulações de eleições; comparação de manchetes de jornais sobre a mesma notícia; entrevistas com autoridades; leitura e comparação entre as propostas de governo, entre outras ações pedagógicas.

Com tudo isso, pretendemos enfrentar a nossa responsabilidade educativa, nesse tema tão relevante quanto espinhoso!

Por outro lado, há certos valores que precisam ser defendidos por aqueles que escolheram a tarefa de educar: o respeito ao outro, o combate ao preconceito, o apreço à liberdade de opinião, a justiça, a defesa da vida, etc. E essa escolha nos obriga a combater, sem sombra de dúvidas, ideias que se opõem a esses valores. Não há, para um educador comprometido, como manter-se neutro nesse campo!

EVENTO CANCELADO: Sessão de cinema especial – “Em um mundo interior”

Prezadas famílias, leitoras e leitores de nosso Blog

Fomos informados que o Cinemark não poderá sediar a sessão de cinema especial, em que seria exibido o documentário “Em um mundo interior”. A sessão aconteceria dia 29/9, sábado, às 11h, no Cinemark Eldorado.

Estamos buscando outras possibilidades de viabilizar a exibição para a comunidade da Vila, e informaremos assim que possível.

Agradecemos a compreensão de todos.

Vila indica: sessão de cinema especial e debate sobre o documentário “Em um mundo interior”.

Por Fernanda Flores

Prezadas famílias, leitoras e leitores de nosso Blog

Flavio Frederico e Mariana Pamplona, pais de aluna de nossa escola, são diretores do documentário “Em um mundo interior”, sensível filme que registra a vida de famílias de classes sociais e regiões distintas cujos filhos manifestam transtornos sensoriais ou cognitivos, na busca por compreender a percepção do mundo pelo ponto de vista de jovens com Transtornos do Espectro do Autismo.

A partir de conversas sobre o filme, surgiu a possibilidade de viabilizar para a comunidade da Vila, o acesso não somente ao filme, mas também à oportunidade de debatê-lo com os diretores em uma exibição especial.

Assim, compartilhamos o convite para sessão especial que acontecerá dia 29/09 sábado, às 11h, no Cinemark Eldorado, Av. Rebouças, 3970. A comunidade Vila tem 50% de desconto, e os ingressos devem ser retirados na bilheteria do cinema, antes da exibição.

Esperamos que todos os interessados possam aproveitar a oportunidade!

O construtivismo e a hora da mudança.

Por Sonia Barreira, direção geral

Foi um prazer imenso encontrar tantos educadores queridos e importantes na palestra de Antoni Zabala na ocasião do lançamento do Grupo Critique:

Na plateia, familiares dos alunos, professores, educadores e diretores de escolas importantes ouviram atentamente o famoso educador catalão, que retomou para todos nós como as pesquisas científicas nos mostram como os alunos aprendem.

Evitando rótulos fáceis e etiquetas simplificadoras de conceitos complexos e com muito humor e simpatia, ele nos questionou sobre a organização da instituição escolar para responder a seus propósitos. Se antes a escola tinha essencialmente a função propedêutica e seletiva, hoje, a escola do século XXI deve se preparar para realmente oferecer uma formação integral para todos e todas e cumprir uma função orientadora e inclusiva.

Uma formação com essas características e propósitos deve se organizar em torno de competências complexas e não apenas em função de conteúdos conceituais específicos e sobrepostos das disciplinas e áreas de conhecimento. Para tanto, o professor Zabala retomou a importância do enfrentamento de problemas reais e complexos na escola não apenas como um complemento da experiência escolar, mas como essência curricular.

Muitos de nós, na plateia, trocamos olhares cúmplices, admitindo uns para os outros que já sabíamos de tudo isso, mas que ainda não conseguimos reestruturar o currículo escolar de modo coerente com essas ideias!

Propostas de investigação, projetos, simulações, resolução de problemas e estudos de caso existem e se multiplicam em nossas escolas. Mas não de modo estrutural. Não a ponto de oferecermos uma vivência escolar cujo eixo central siga essa lógica.

Ao final da palestra, ao encontrar uma ex-professora da Vila, hoje diretora de uma importante escola paulista, ela me olhou um tanto encabulada, outro tanto inconformada e me disse:

- Sonia, já ouvimos tudo isso há uns dez ou quinze anos, não?
- Sim, Marta, ouvimos tudo isso, mas não fizemos o que era para fazer, não é?
- Não, não fizemos! Vamos passar os próximos dez anos tentando?

Definitivamente não fizemos a revolução que sabíamos necessária. Mas plantamos boas e fortes sementes para que as mudanças possam acontecer progressivamente, sem rupturas bruscas que geram insegurança e resistência.

Agora, tratemos de arregaçar as mangas e mudar o que é preciso mudar nos nossos projetos. Não estamos tão longe assim do que queremos!