Ambientes que comunicam

Por Marisa Szpigel – Zá

Visualidade: vista, miragem, aspecto cambiante (do dicionário Michaelis). A visualidade dos espaços de todas as escolas pelas quais passamos durante nossa jornada em Nova York comunicavam significados. A visualidade não se apresentava apenas pelas exposições e pelos murais repletos de trabalhos realizados por crianças e jovens, mas também, e principalmente, pelo agir dos estudantes e professores nos espaços. Ambientes coletivos de trabalho, que muito se distanciavam do referente de uniformização e homogeneidade sem surpresas que normalmente estão relacionados ao ambiente escolar. Cada uma das escolas que pudemos conhecer oferecia lugares convidativos e que sugerem familiaridade, eles nos mostravam que foram construídos  ao longo do tempo pelos protagonistas  dos processos ali implicados, de modo a revelar singularidades e  construção coletiva simultaneamente.

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3Na escola Quest to learn todas as propostas são apresentadas aos alunos no formato de games. Observamos que os alunos utilizam os ambientes virtuais e reais  de acordo com a atividade. Não há uma sala  de aula por série, mas os alunos circulam pelas salas e cada professor tem sua sala. Os murais, repletos de produções de todos tipo comunicam os processos de produção. Além disso, chamou atenção o fato dos professores terem um espaço de trabalho (como mostra a primeira imagem) dentro da sala.

Assim como ocorre nos ambientes virtuais que se constituem por redes complexas e carregadas de informações, nessas escolas salas, corredores, bibliotecas e ateliês também se apresentavam como redes complexas, com poucos (ou nenhum) espaços vazios. Mais do que salas de aula e ateliês, os ambientes nos davam ares de laboratórios, onde a experiência e a investigação, os processos e as aprendizagens, são transparentes.

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Como gabinetes de curiosidade, objetos, comentários, reflexões, sistematizações, mapas  conceituais, fotografias, materiais e muitos trabalhos de arte  invadiam os ambientes dentro e fora das salas de  aula da Blue School.

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A cena está mais para gabinete de curiosidades e museu de tudo do que para museus especializados e separados por disciplinas e áreas. Está mais para museu-laboratório do que para museu-vitrine. E, novamente, vale frisar, assim como nas redes, a multiplicidade e a polifonia estavam sempre presentes nos ambientes por onde passávamos e eles nos tornavam imersos nos processos.

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Pode-se concluir que os ambientes reais reproduzem a complexidade dos ambientes virtuais, no entanto, o fazem em sua concretude, pois materializam os conteúdos presentes na vida de nossas crianças e jovens, que desde muito cedo estão em contato com os ambientes virtuais. O que ocorre é que os estudantes transitam com familiaridade na multiplicidade sem perigo de dispersões, estão habituados a perceber diversos estímulos simultâneos e abertos para experiências novas de contato e descobertas sensoriais que talvez, na contemporaneidade, só possam ser conhecidas no ambiente escolar.

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Na escola em que fomos visitar e conhecer mais de perto as propostas de Reggio Emília, materiais de todo tipo, desde os mais industrializados até os mais naturais são investigados pelos alunos em ambientes organizados pelos professores.  Os registros feitos pelas crianças durante o processo de produção são expostos nas paredes e  em murais.

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A visualidade dá visibilidade às transformações do mundo. Se as tecnologias digitais afetam as formas de perceber e compreender o mundo, isso implica em inventar novos modos de agir nele. Não se trata de substituir a argila por computadores. Vimos nos corredores que caixotes de madeira e carrinhos de tablets podem coexistir. O que mudou foi o modo de pensar, e cabe a nós, educadores, refletir sobre os diálogos possíveis. Como a tecnologia está (ou deveria estar) conciliada com a produção artesanal e o contato com as diferentes qualidades de matérias e materiais? Neste contexto, a arte apresenta-se como campo que potencializa entrelaces.

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Na Bank Street a arte invade todos os ambientes: salas de aula, corredores, biblioteca e ateliê. Durante as propostas os alunos trabalham autonomamente dentro da sala e pelos corredores. Os professores também, tanto os que estão ministrando as aulas quanto outro que estão realizando seus estudos e planejamentos, tornando transparente também o fazer docente.

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Por Júlia Abrão

Me lembro até hoje do “teste” que fiz para entrar na 1ª série da Vila. Me lembro de quando meu irmão mais velho chegou correndo na escola em que eu fazia o Pré gritando: “Você passou na Vila!” Me lembro dos professores. Me lembro da primeira vez em que colei numa prova. Me lembro de que fui pega (desculpa, Marília). Meu primeiro “E”. Me lembro de quando a mesma Marília leu Drácula à luz de velas para a turma. Me lembro dos lanches coletivos. E da Guerra das Bolas. Me lembro da primeira vez que caí na dupla com o menino de quem eu gostava. Me lembro de quando falaram de anticoncepcionais e de drogas. Me lembro dos pentaminós e do Escher. Me lembro das peças de teatro. Das visitas à Bienal. Me lembro do bananal. Me lembro da rádio na hora do intervalo. Me lembro de que pediram nossa opinião quando decidiram mudar o logo do coqueiro. Me lembro de que “nuvens brancas passam por brancas nuvens”. Me lembro de que fomos a primeira 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries da história da Vila. Me lembro de diálogos. Me lembro de aulas que caminhavam para fora do currículo regular das outras escolas simplesmente porque os alunos pediam mais. Iam longe. Se interessavam, perguntavam, questionavam. Me lembro de quando tive que deixar a Vila. Me lembro das Festas Juninas e de encontros que fizemos depois. Me lembro da primeira vez que achei algumas carinhas no Facebook e de que sorri de saudades e carinho. Me lembro da Vila como me lembro do cheiro do café da minha falecida vó Celeste. É tanto carinho e lembrança boa que não me lembro das broncas, não me lembro das brigas… Obrigada, Vila. Obrigada por me fazer questionar tudo desde cedo. E por ter sido parte importantíssima dos rumos que tomei até me tornar educadora.


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Minha história com a Vila…

Por Susane Lancman Sarfatti

Cara Escola da Vila,

Imagino que você já deve estar pensando o quão retrógrada sou em escrever uma carta a você, quando temos formas mais modernas de comunicação: Facebook, Skype, Vídeo conferência, Hangout… Mas, sou das antigas. E é justamente por isso que retomo a nossa trajetória nesses quase 20 anos de convivência.

Conheci você quando tinha 15 anos, uma menina em pleno processo de passagem para juventude, e eu, com um pouco mais de uma década do que você, aportando na Terra da Garoa, que mudou tanto que nem chove mais.

Sempre que penso na mudança da infância para a adolescência, me aparecem a imagem e as palavras da Alice no País das Maravilhas: “Ai meu Deus! Como está tudo esquisito hoje! E ontem estava tudo tão normal. Será que mudei durante a noite? Deixe ver: eu era a mesma quando me levantei hoje de manhã? Estou quase jurando que me sentia um pouquinho diferente. Mas, se não sou a mesma, então que é que sou? Ah, aí que está o problema!”

Você, Vila, tal como Alice, sempre se mostrou questionadora, tentando entender seus princípios e valores, tentando agir de forma coerente e respondendo de forma consistente a grande questão: “Quem sou eu?”

Confesso que me deslumbrei com tantas questões que você trazia, tudo exigia uma explicação. As boas ações pedagógicas e educacionais não bastavam se não tivessem respaldo teórico. Assim, as minhas certezas se converteram em dúvidas ou em busca pelo conhecimento, desde o primeiro momento em que iniciei o estágio.

Primeiro fui estagiária do 4º ano e me entusiasmava ver a forma que a professora instigava os alunos a discutir, parecia um grande maestro de uma orquestra maravilhosa. Impactou-me ler com alunos tão pequenos Graciliano Ramos, trabalhar algoritmos alternativos da divisão, relacionar a pontuação com tipologia textual… Nossa, que sabidos (palavra do seu repertório que absorvi) eram esses alunos. Nessa época, conheci a Delia Lerner, pesquisadora tão difundida no seu meio que passei a me achar também íntima dela.

Depois fiz estágio no grupo 4, conheci a Grécia, os Polos Norte e Sul, as versões de contos de fadas, os jogos matemáticos… Um mundo novo se abria. E, sem dúvida, a pesquisadora Emilia Ferreiro foi o ícone das novas descobertas com a teoria psicogenética da alfabetização que lemos ainda em espanhol. Deslumbrei-me com a forma que os alunos aprendiam sobre a língua com palavras e assuntos tão difíceis: Hércules, Atenas, mitos, Hera, pinguins, Amyr Klink, morsa… Era a curiosidade pelo mundo que abria as portas das letras.

No ano seguinte e por vários anos, fui professora da 3ª série. Costumo brincar dizendo que, como pulei quando pequena a 3ª série, passei muitos anos repetindo essa série, como professora. Foram momentos maravilhosos com alunos muito bacanas (mais uma palavra do seu repertório. E repertório também é palavra sua) e projetos e sequências didáticas instigantes. Você me apresentou autores que ajudavam a embasar o nosso trabalho: Beatriz Aizenberg, Bernard Schneuwly, Mario Carretero, Ana Spinoza, Ana Maria Kaufmann, Patricia Sadovsky… Essa sua busca em relacionar a prática com a teoria e vice versa me encantou e ainda me encanta.

Paralelamente ao trabalho em sala de aula, iniciei, no Centro de Estudos, dando cursos de formação de professores. E a criação do PIF, Programa Interno de Formação, foi um momento muito especial. Ficou claro para mim que fazer um bom trabalho com os alunos é um grande desafio, mas falar sobre o trabalho para colegas era um desafio ainda maior, pois exige um outro nível de reflexão sobre a prática.

No seu Centro de Estudos, pude refletir sobre a natureza do ser professor e os aspectos que permeiam a identidade docente, tornando o meu trabalho mais consistente e significativo para uma prática transformadora. Viajei dando cursos para Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Brasília… Enfim, entrar no avião com o curso em um pendrive, levar caixas com todo o material a ser distribuído e aportar nas escolas para representar o seu saber foi um grande aprendizado. Para tanto estudei muito Perrenoud, Cesar Coll, Monica Gardner, Zabala, Zabalza, Isabel Alarcão…

Passados alguns anos, veio um novo desafio: atuar no fundamental 2 como orientadora educacional. Um novo mundo de estudos se abria, o foco não eram mais as didáticas das disciplinas e áreas, nem tampouco a formação de professores: era preciso entender melhor sobre a construção moral do sujeito, as características da adolescência e seus conflitos emocionais e sociais, as novas configurações familiares, a atuação com as famílias… Novos autores: Puig, Savater, Yves … e o retorno ao meus velhos amigos, Piaget e Freud, base na minha formação, antes de conhecer você.

A lista interminável de autores e pesquisadores da educação que listo nesta carta me parecem tão íntimos que escrevo como se fossem velhos conhecidos, por isso a falta do nome completo. Obrigada por tê-los me apresentado. Agradeço também aos muitos colegas e amigos de trabalho que conheci através de você.

Agora, cá estou no Ensino Médio. Poderia dizer que é um novo desafio pela nova faixa etária, contudo, hoje percebo que, independentemente da idade dos alunos, o desafio é fazer um trabalho de qualidade: é ser uma boa professora. E é isso que continuo buscando, sabendo que conto com o seu apoio e incentivo nessa longa jornada.

Parabéns pelos seus 35 anos! Você continua com uma aparência jovial e ativa, mais segura e estável, como qualquer mulher bem vivida com a sua idade que está mais madura.

Beijos,

Susane


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Por que não faltar à SAD

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Por Fermín Damirdjian

Poucos debates hoje em dia são tão complexos, instigantes e desafiadores quanto aqueles sobre o melhor formato para uma escola que se propõe a incluir a maior diversidade possível de perfis pessoais e sociais. Tal debate transita entre uma estrutura convencional de uma grade horária até opções oferecidas aos alunos sobre projetos e atividades que eles mesmos poderiam escolher para preencher a sua semana. São apenas alguns dos modelos com os quais nossa equipe trava contato ao viajar pelo mundo conhecendo as mais variadas instituições de ensino.

Seja como for, sabemos que diversificar o formato e os conteúdos só pode acrescentar à formação dos nossos alunos. Entendemos que, para além do formato praticado pela Escola da Vila, o que se aprende dentro dos muros de uma escola se presta à constituição de valores e referenciais culturais que permitirão aos alunos transitar pelo mundo com um olhar aguçado, através do qual seja possível encadear os mais diversos fenômenos do conhecimento com a menor quantidade de fronteiras possível entre os campos do saber.

A Semana de Atividades Diversificadas, vulgo  SAD, procura desconstruir nossa grade horária semanal para oferecer aos alunos outra forma de entrar em contato com os mais diversos campos da cultura. E, com certa frequência, não muita, mas ainda assim dentro de uma margem que nos surpreende, alunos e eventualmente famílias nos trazem a pergunta: “Pode faltar na SAD?”. Embora se trate de uma pequena quantidade de alunos, vale a pena discorrer sobre o assunto.

Antes de prosseguir, é interessante revermos algo do que vimos na SAD no mês de junho.

Com a presença de um escritor, foi realizada uma palestra sobre os “Cem anos do genocídio armênio”. Um evento amplamente documentado por historiadores respeitados, além de um Prêmio Nobel de Literatura de origem turca – e que, justamente por tratar do assunto abertamente, vive exilado de seu país de origem, como muitos turcos que procuram investigar o evento, não reconhecido pelo governo do país como propriamente um genocídio.

Tivemos, também, uma palestra sobre violência e jogos esportivos em que foram tratadas tanto medidas práticas − que costumam ser tomadas por instituições mundo afora, policiais ou não, para coibir os atos violentos nos esportes −, assim como foi feita uma abordagem de natureza antropológica e psicanalítica sobre a dificuldade de separar a disputa simbolizada pelos valores próprios de um jogo daquilo que se transforma em ato de violência quando esses referenciais se perdem.

E, ainda, a oportunidade de assistir ao filme Nós que aqui estamos por vós esperamos, produção nacional do diretor Marcelo Masagão, que ofereceu aos alunos uma obra que perpassa, em brilhante trabalho de edição de imagens de época, uma trajetória da primeira metade do século XX. As guerras, a mídia, os espetáculos de massa; a música, os esportes, a formação das grandes cidades; a rápida mudança de paradigmas sociais, o desenfreado entrosamento cultural entre as nações; as vanguardas artísticas, o progresso tecnológico; o desenvolvimento urbano, o êxodo rural, as mudanças climáticas e as vanguardas artísticas europeias e latino-americanas são elementos expostos pelo filme, com os quais os alunos podem travar contato com o repertório curricular abordado em sala de aula nas mais diversas disciplinas.

Pois bem, essa é uma pincelada rápida do que ocorre na Semana de Atividades Diversificadas, para mencionar apenas o Ensino Médio. Faltou, ainda, citar as oficinas de dança, o início das pesquisas de campo do 2º ano e, provavelmente, outras atividades sobre as quais, por falta de espaço, não discorro aqui.

O fato é que essa inclusão de temas variados e a desconstrução de uma rotina rígida de aulas, sob o olhar da equipe, é um ganho. No entanto, algo ocorre que, para alguns alunos, é uma oportunidade para não frequentar a escola. Talvez porque a formalidade do conhecimento, distribuído e sistematizado em aulas, tenha ainda um peso cultural que remete à obrigatoriedade, àquilo que “cai na prova”.

Por outro lado, quando se busca enriquecer esse formato e conteúdos com elementos complementares, perde-se esse sentido de dever, tão enraizado na tradição escolar. O que não se pergunta diretamente em prova perde peso no imaginário dos alunos. E é aí que entra um valor, abstrato e dificilmente traduzido em medidas concretas, que é o do conhecimento. E aqui falamos do conhecimento sem bordas institucionais, disciplinares.  O conhecimento adquirido vivencialmente, seja ouvindo um palestrante, seja assistindo a um filme, seja fazendo uma oficina de música, visitando um museu ou a sede de um movimento social.

Consideremos agora outra situação: um aluno teve uma resposta em prova considerada “insuficiente” pelo professor em determinada disciplina. O primeiro argumenta que colocou ali aquilo que a pergunta pedia. Há um certo grau de sofisticação, porém, que o professor a essa altura consideraria necessário para que a resposta fosse plenamente satisfatória. Não apenas porque o assunto foi discutido ao longo de três aulas, e dificilmente possa ser bem resumido em poucas linhas, mas também porque esperamos dos nossos alunos certa riqueza cultural em seu repertório.

Por isso, o estímulo a ler jornais, ir a museus, ver filmes, frequentar teatros ou quaisquer outras contribuições para a formação dos sujeitos, além das lições de casa, dos trabalhos e das provas. Estes, formalidades necessárias para a vida escolar, devem estar a serviço de uma compreensão mais completa da sociedade e para a formação do caráter, pautados por princípios éticos.

As viagens de campo talvez sejam um bom exemplo de fusão entre formalidades curriculares e aprendizagem por vivências. Nelas há situações mais livres, e outras mais rigorosas de produção de conhecimento, mas todas procuram ampliar e flexibilizar o ato de conhecer.  A SAD caminha nesse sentido: transitar entre diversos campos do saber. Em última instância, essas devem ser premissas daqueles que escolhem a Escola da Vila. Faltar nesses dias é incorrer em uma contradição que explicita certo distanciamento do aluno em relação ao projeto que ele escolheu como seu.

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A minha história de vida na Vila

Por Marcos Mourão (Marcola)

Dedicada ao professor de Ed. Física Marcelo Barros da Silva, o Jabú  

A primeira vez que ouvi falar da Escola da Vila foi na minha graduação na USP. Fazia o curso de licenciatura em Educação Física, e o professor Oswaldo Ferraz, da disciplina “Ed. Física na  infância”, convidou dois colegas para uma conversa com a turma, um deles era o professor  Marcelo Barros, conhecido como Jabú. Quando Jabú começou a falar sobre a proposta de trabalho na Escola da Vila, imediatamente senti uma grande empatia por suas ideias. Para conhecê-las  mais a fundo, resolvi que iria tentar fazer um estágio de observação na unidade Butantã. Lembro-me do dia em que vi, pela primeira vez, o portão azul de entrada na Barroso Neto. Estava fechado, sem tranca, cadeado. Esperei algum tempo, e, como não apareceu ninguém, resolvi entrar. Subi os degraus de pedra e logo avistei uma moça, a Alessandra, na época, a secretária. Perguntei pelo Jabú, e a Alê me pediu para esperá-lo na quadra. Quadra? Qual quadra? Na época, só havia um pátio coberto por uma lona laranja, conhecida como “Asa Delta”! Fiquei aguardando um pouco e logo chegou a turma de crianças. Assim que a aula começou, as ideias expostas na faculdade começaram a se materializar. Uma aula que não se norteava pela atividade repetitiva de exercícios? Estranho… Uma aula que respeitava a atividade corporal da criança? Muito estranho…  Uma aula que não precisava de linhas esportivas na quadra e que não propunha o uso de material complicado, caro e específico, mas utilizava sucatas e outros materiais simples, de fácil acesso? Bem estranho… Uma aula na qual as crianças interagiam, se divertiam e não se agrediam? Esquisitíssimo!

Decidi que era isso que queria fazer na minha vida profissional! Passei então a estudar alguns teóricos da pedagogia e da psicologia e voltar minha atenção ao desenvolvimento infantil e ao jogo, aguardando a oportunidade de um dia ser convidado pela Escola da Vila. E essa oportunidade veio com a introdução da atividade de extensão curricular de capoeira, no segundo semestre de 1993. Nessa época, a escola atendia aos alunos do fundamental 1, mas, no ano seguinte, abriria a primeira turma de 6º ano E, com a perspectiva de trabalhar com uma faixa etária inédita, me convidaram para assumir as aulas de educação física e introduzir o treinamento esportivo! Obviamente fiquei muito feliz e preocupado… Será que daria conta?

Minha primeira entrevista foi com o Vinicius Signorelli, coordenador do ensino fundamental 2. Para aqueles que não conheceram o Vinicius na época, pensem na figura de um viking. Acrescentem a ela um pouco de Einstein e Beethoven. Era fácil se intimidar à primeira vista…

Fui muito bem recebido por toda a equipe da escola. Para se ter uma ideia, as reuniões pedagógicas de terça-feira aconteciam numa sala do bloco B com todo o corpo pedagógico! Muitas reuniões podiam ser chamadas de “terças insanas”! Era uma concentração absurda de ideias e conceitos pedagógicos por m²! Imaginem um garoto de 23 anos, recém-formado, com pouca experiência docente, nesse ambiente! De qualquer modo, ficava escutando e admirando aquelas mentes brilhantes. Mentes? Mas eu não era do corpo? Pois é, uma das coisas que aprendia aos poucos era que o professor de educação física que gostaria de me tornar precisaria de tantos estudos, tanto embasamento teórico, tanto conhecimento, como todos os outros mestres.

Bigode (matemática),  Vinicius (ciência), Graça (Geografia), Conceição (História), Sérgio (Teatro), Claudio Cretti (Artes), Noemi (Português), Zinia (Inglês), Clice (O.E) são os primeiros professores do ensino fundamental 2 de 1994 que me marcaram profundamente. Com eles aprendi que não sabia nada, mas tinha sempre um colega que sabia, pois não dava para construir uma equipe sozinho. Pelo menos isso eu aprendi na elaboração do trabalho de implementação do ensino fundamental 2.

Falando em saberes, quero destacar um deles para dar a dimensão do tempo que já passei nesta escola. Era 1994, e uma reunião quase inteira foi ocupada para a apresentação de algo revolucionário na busca e na troca de saberes: a INTERNET.

Ficamos todos ao redor de uma mesa, aguardando a conexão por linha discada, enquanto o ruído característico (os mais velhos lembram) acusava a tentativa. Após uns vinte minutos discando, nada apareceu na tela. Tivemos que nos contentar com os relatos do Vicente sobre  o site da NASA, de como era fantástico, etc. Hoje conto essa história aos meus filhos Pedro (14) e Marina (16), como se fôssemos homens da caverna em busca do fogo!

Pois é, foi na Escola da Vila que, desde pequenos, eles sempre estudaram. Pedro ainda teve o privilégio de frequentar o Espaço da Vila, Berçário de 0 a 3 anos. Confesso que tenho uma certa “inveja” deles… Como gostaria de ter uma escola assim na minha formação. Uma escola que cumpre o seu papel de formar estudantes, que olha com respeito a diversidade e a inclusão, que não restringe a sua atuação à sala de aula, que se compromete com as questões sociais, que orienta e educa seus alunos, suas famílias. E que, com uma significativa  parcela de minha contribuição, trata o corpo e o movimento numa perspectiva integrada, libertadora e autônoma. Obrigado, Escola da Vila, e parabéns pelos seus 35 anos!!!!


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Um pedaço de mim

Por Wanilda Tieppo

Eu tentei chegar à Vila em 1984! Recém-formada, em busca de especialização na Educação Infantil, coloquei meu currículo bem pobre debaixo do braço e toquei a companhia da Escola da Vila. Nesse mesmo portão azul, na rua Barroso Neto, 91, entreguei a minha experiência! Não fui selecionada.

Anos depois, em 1996, eu já estava numa escola, e quem chegou foi a Escola da Vila.

Ela chegou com um baita currículo institucional debaixo do braço, e achei que, mais uma vez, eu não seria “selecionada”.

Era o mês de junho e, na ocasião, eu coordenava a Educação Infantil do Colégio Fernando Pessoa.

Quem coordenava esse segmento na Escola da Vila era a Zélia Cavalcanti. Gente, eu não tinha chance nenhuma! Disputar, mesmo que na unidade Morumbi, o cargo com uma grande educadora, com expertise invejável, historiadora, escritora de livros, meu pai! Nem no meu mais ambicioso e maluco sonho eu teria alguma chance.

Toquei o meu trabalho com a certeza de que, no final do ano, eu teria de procurar outra escola.

Em dezembro, Sonia Barreira me chamou para uma conversa e eu saí da minha sala com destino à sala dela imaginando que seria dispensada. E o que é surpreendente: “Eu teria compreendido, com toda a honestidade, a decisão dela”.

Pois é! Em vez de demissão, veio o convite para ser assistente de direção. Gente! Confesso que o meu susto e a minha alegria foram enormes.

Em todos esses anos, minhas atribuições foram as mais variadas: cuidar da segurança e da rotina da escola; coordenar a equipe de atendimento, a de monitoria; ser responsável pela comunicação interna e com os pais; atender os pais novos; organizar os eventos, as formaturas, a chegada de trabalho de campo; e mais umas coisinhas.

Esse turbilhão de tarefas e de mudanças constantes de responsabilidade “bate” com meu jeito agitado. Gosto de mudanças, gosto de desafios, e gosto de aprender.

Se me pedissem para resumir a minha experiência profissional na Escola da Vila em uma única palavra, eu usaria a seguinte: APRENDIZAGEM.

Nossa! Como aprendi e como aprendo no meu dia a dia! E é isso que me fascina e me tira da cama bem cedinho para trabalhar.

Sou uma funcionária orgulhosa da Escola em que trabalho, e estou feliz por estar aqui neste ano de comemorações!

 Parabéns, Vila, pelos 35 anos de contribuição para a educação!


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Escolher é abandonar

Por Susane Lancman Sarfatti 

Escolher um caminho significa abandonar outros. Pode parecer óbvio, mas para os jovens dos 3º anos que estão em processo de escolha da carreira acadêmica, a percepção do significado sobre o que é escolher é uma descoberta difícil.

Realmente não é uma decisão simples a escolha do que e de onde cursar a faculdade, por essa razão organizamos atividades que podem ajudá-los a conhecer diferentes instituições de ensino, profissões, história de estudantes que também passaram pelo processo de escolha. Ainda propusemos visitas às faculdades, conversas com ex-alunos, apresentações de projetos pedagógicos por professores universitários… Enfim, tentamos dar suporte aos jovens nesse momento de escolha de caminhos.

Para a SAD, Semana de Atividades Diversificada, que aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de abril para os alunos dos 3º anos, planejamos, dentre as atividades, algumas voltadas para a escolha da carreira acadêmica:

Universidades no exterior: com objetivo de ampliar o conhecimento de mundo dos nossos alunos em relação a universidades fora do Brasil, tivemos a presença de 3 convidados: Rodrigo K. de Mattos, que apresentou os dois caminhos para cursar universidades nos Estados Unidos, pela via acadêmica e pelo esporte; Renato Gagliardi, que contou sobre o curso de Hospedaria, que pode ser feito em vários países da Europa e da Ásia; e da ex-aluna Rebeca Macedo, que relatou sua experiência ao ter feito universidade na Suíça.

Universidades Exterior (1) Universidades Exterior (2)

Encontro com ex-alunos: dividimos os alunos e os ex-alunos em grupos de acordo com a área de interesse, para que pudessem trocar experiências. Nesse encontro, houve relatos sobre o processo de escolha, dúvidas foram levantadas e aflições compartilhadas.

Ex-alunos (1) Ex-alunos (2)

Universidades públicas: o foco do encontro era discutir o papel das universidades públicas na sociedade. Tivemos a presença de 4 professores, sendo 2 da USP, um da UFABC e um da UNICAMP. Os alunos se mostraram muito interessados e atentos.

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Universidades particulares: o foco do encontro era conhecer os projetos de ensino de algumas faculdades. Tivemos a presença de 6 professores, oriundos da Cásper Líbero, PUC, ESPM, FGV, INSPER e Escola da Cidade.

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Essas atividades ajudam os alunos a obter mais informações sobre os cursos e universidades, o que não dispensa o apoio dos pais, parentes e amigos na busca de ampliar seus conhecimentos. Dessa forma, a escolha pode se tornar um pouco mais fácil e o abandono das outras escolhas, um pouco mais suportável.

O eterno retorno

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Blecaute” (de Davey Anderson/2014)

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Por Tuna Serzedello

“Posso participar da aula hoje? Me deu uma saudade!”

Uma das coisas mais gostosas e gratificantes desses meus 8 anos de teatro (já!) na Escola da Vila é esse retorno dos ex-alunos à escola.

Os universitários, hoje na USP, UNESP, UNICAMP, ou mesmo no cursinho, são presença obrigatória nas aulas – e não é só logo depois que se formam no Ensino Médio. Anos mais tarde, vêm frequentar aulas, assistir às peças dos alunos atuais, pedir textos emprestados, ajuda em trabalhos universitários, entre outras coisas.

É uma honra ver que o vínculo estabelecido com eles se transforma e continua florescendo.  É uma volta ao lar. Ao conforto. Ao lugar da segurança. E, ao mesmo tempo, uma inveja saudável daqueles que estão passando por aquilo que eles passaram.

Com eles, voltam histórias, lembranças, risadas, piadas internas e muito orgulho de ver como eles amadureceram, mudaram a voz, trocaram de casca, mas mantêm o mesmo olhar que só o afeto construído por tantas aulas percebe intacto. E, além disso, conto com o auxílio luxuoso da ex-aluna Luiza Zaidan, hoje coautora dessa história.

Como o teatro tem o poder de unir pessoas tão diferentes em torno de um mesmo objetivo e construir bonitas amizades ao seu redor?

Acho que é porque o trabalho realizado desloca os jovens da zona de conforto e das amizades pré-estabelecidas e os convoca a ser mais. A combinação das diferentes características humanas é a fortaleza de cada grupo. E nunca tivemos (nem teremos) grupos iguais, homogêneos, de pessoas com as mesmas características (que bom!). É nessa heterogeneidade de humores, amores e quereres que podemos, juntos, nos desenvolver mutuamente.

Um grupo de teatro só tem razão de existir enquanto há conflito. Teatro não existe sem conflito. Drama! E é justamente isso o que não falta quando colocamos numa mesma sala mais de 30 jovens e adolescentes. Meu papel não é eliminar os conflitos, mas tentar fazer com que aprendamos com eles e os usemos como pilares para o nosso desenvolvimento humano e expressivo. São eles: teoria e história do teatro, jogos dramáticos, experimentos cênicos, exercícios de interpretação e, é claro, muitas risadas.

Seres únicos, em um encontro único, só podem criar algo único para quem tem a alegria de assistir a esses jovens em cena. E, assim, com tanta intensidade, descobertas e conflitos, é claro que dá saudade de voltar para ter a certeza de que éramos felizes (e sabíamos disso)! Só não poderíamos imaginar que passaria tão rápido.

Parabéns Escola da Vila pelos seus 35 anos, e obrigado a todos os que fizeram teatro por aqui. Vocês fizeram os meus anos aqui voarem, embora os meus cabelos brancos não me deixem esquecer de que eles passaram. Voltem sempre! A casa é de vocês.


Saudades de cada turma. De cada peça. Desde o início do meu trabalho na Escola da Vila, já passamos por várias apresentações em Festivais de Poesia, Vila Literária (dando vida aos textos dos alunos do fundamental), Viladas, Saraus, festivais fora da escola, saídas culturais, ensaios fora de hora, oficinas, e montamos, “oficialmente”, as peças:

Eu quero uma para viver” (criação coletiva/2008);

A Máquina” (de Adriana Falcão/2009);

Fez-se de Triste” (colagem de poemas de Vinicius de Moraes/2009);

Deve ser uma coisa maravilhosa” (colagem textos realistas/2010);

 “Um Macbeth” (de William Shakespeare/2011);

Uma peça por outra” (de Jean Tardieu/2012);

Senhora dos Afogados” (Nelson Rodrigues/2012);

Mambembe Antropofágico” (colagem textos brasileiros/2013) ;

Blecaute” (de Davey Anderson/2014);

Revolução das Mulheres” (de Aristófanes/2014);

O Jardineiro é Godot e as árveres somos nozes” (colagem textos teatro do absurdo/2014).

Para além das lembranças, termino esse texto de memórias falando do futuro, com uma citação da peça “O Primeiro Voo de Ícaro” de Luís Alberto de Abreu:

“Está tudo por fazer

Caminho e caminhada

Partir, sempre partir

Exista ou não estrada.

Aonde for a luz da lua

Também nós podemos ir!”

Área de Cultura, lugar de encontro

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Grupo de teatro do F2

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Por Luisa Furman

“Nenhuma instituição ou organização pode se responsabilizar, de maneira isolada, pela educação de uma criança no mundo atual. É difícil dizer o que as escolas devem ser, mas certamente não se trata de infraestrutura luxuosa ou apenas de tecnologia avançada. Uma escola pode funcionar até sem eletricidade. O que importa é a existência de um lugar de encontro. A aula pode acontecer até debaixo de uma árvore.”
                                                                                                           Edith Akermann

Mais do que oferecer uma formação complementar ao currículo da Escola e das disciplinas convencionais, os cursos organizados pela Área de Cultura propõem diferentes espaços e dinâmicas de aprendizagem, que ajudem a despertar novos olhares para o mundo, na perspectiva dos interesses particulares de cada estudante.

Com a liberdade de proposição que muitas vezes as obrigações curriculares não permitem, com participação por adesão voluntária, o que garante o interesse e a motivação de todos, e com grupos pequenos, que permitem interações muito ricas, as atividades da Área de Cultura têm sido muito produtivas.

Os ambientes dos cursos de extensão, embora apresentem situações mais informais que a sala de aula, são favoráveis a um tipo de ensino/aprendizagem mais empírico, o estudante está em contato direto com o objeto de estudo – seja com o uso do corpo, de ferramentas tecnológicas, ou do fazer manual, os alunos estão constantemente aprendendo com a “mão na massa”.

Mas é claro que as opções complementares dependem de certa persistência do aluno, ou, eventualmente, das famílias, já que seu caráter não obrigatório pode gerar uma adesão pouco consistente, às vezes até circunstancial (em função da adesão de um amigo, da existência de uma fantasia ou de um desejo temporário). Nesses casos, a insistência é fundamental, pois não há atividade de aprendizagem, mesmo a mais divertida, que não envolva desafio, cansaço e até certo desconforto. Por isso, as propostas opcionais da Área de Cultura contribuem também para a formação do estudante, daquele que transforma sua curiosidade em pesquisa, daquele que busca dominar um procedimento até desenvolver uma habilidade pessoal, daquele que quer transformar uma pergunta em conhecimento!

A programação, construída e revisada ano a ano, busca tanto responder às demandas quanto apresentar novas possibilidades desconhecidas dos alunos, como a produção mais contemporânea de arte, música e o uso de tecnologias.

Optamos por oferecer experiências que os alunos não podem encontrar facilmente em cursos, mas sim aquelas que podem promover contato com linguagens e atividades novas, desafiadoras e que envolvam as habilidades requeridas para o século XXI, como: pensamento crítico, criatividade, comunicação e colaboração.

É nesse sentido que esperamos que os cursos de extensão cultural possam criar lugares de encontro, ou novos espaços de relação, que estimulem nossos estudantes a terem prazer em novos desafios.

Leia a seguir sobre as atividades de teatro, hip-hop, mídias digitais e criação de jogos.

Criação de Jogos
Para alunos de 4º e 5º anos do F1.
O curso tem como objetivo o contato com a história dos games e a exploração de jogos de referência, visando visando a criação de jogos eletrônicos como produto final do curso. Usaremos algumas ferramentas já conhecidas pelos alunos e também programas como o Scratch, que usa uma linguagem de programação desenvolvida pelo MIT Media Lab.
Os alunos manipularão vários tipos de mídias, participarão de todas as etapas de construção de um jogo, além de publicar suas criações para divulgação e interação com os colegas e a Escola. Usaremos a comunidade de trocas, em: http://scratch.mit.edu.
Assista ao vídeo do curso aqui.

Mídias Digitais
Para alunos do F2.
Neste curso, os alunos poderão experimentar o uso de diversos programas visando à edição e à criação de animação, vídeo e áudio, além da programação para o desenvolvimento de jogos e aplicativos para celular e tablet.
Em cada trimestre, exploraremos técnicas de manipulação de mídias como animação em 3D, edição de vídeo, stop motion, fotografia, desenho analógico e digital, sempre com o uso das tecnologias, ampliando as possibilidades de trabalho.
Assista ao vídeo do curso aqui.

Teatro F1
Para alunos de 2º a 5º ano.
A oficina visa ao estudo do teatro a partir da identificação de alguns elementos dessa linguagem em jogos tradicionais e cooperativos. Dentre eles, podemos destacar a organização espacial, a construção do corpo das figuras envolvidas, a contagem do tempo e os temas suscitados. A oficina resultará em um experimento cênico elaborado colaborativamente com os alunos.
Assista ao vídeo do curso aqui.

Teatro F2
Para alunos de 6º a 9º ano.
A oficina visa o estudo do teatro a partir da identificação de alguns elementos dessa linguagem em jogos tradicionais e cooperativos. Dentre eles, podemos destacar a organização espacial, a construção do corpo das figuras envolvidas, a contagem do tempo e os temas suscitados. A oficina resultará em um experimento cênico elaborado colaborativamente com os alunos.
Assista ao vídeo do curso aqui e ao vídeo da apresentação de fim de ano aqui.

Teatro EM
Para alunos do Ensino Médio.
A oficina visa ao estudo do teatro a partir da identificação de alguns elementos dessa linguagem em jogos tradicionais e cooperativos. Dentre eles, podemos destacar a organização espacial, a construção do corpo das figuras envolvidas, a contagem do tempo e os temas suscitados. A oficina resultará em um experimento cênico elaborado colaborativamente com os alunos.

Danças Urbanas
Para alunos do F2.
Neste curso, serão apresentados elementos da cultura hip-hop e outras manifestações culturais urbanas, abordando técnicas de expressão corporal e passos de street dance, possibilitando a criação de performances individuais e em grupos.
Assista ao vídeo do curso aqui.

Arte Urbana
Para alunos do F2 e 1º ano do  Ensino Médio.
Os alunos vão conhecer as histórias do Grafitti e da Arte Urbana, e as diversas técnicas utilizadas por artistas contemporâneos que têm o espaço urbano como suporte. Além do grafitti, vão trabalhar com stencil, lambe-lambe e serigrafia. O curso prevê saídas para realizar intervenções em espaços autorizados, com uma equipe da Escola da Vila.
Assista ao vídeo do curso aqui.

SerTão Grande
Um grupo de estudos de alunos do Ensino Médio vai investigar os sentidos e as representações do sertão a partir da leitura de contos e dos diários de Guimarães Rosa.
Como encerramento e coroamento do curso, o grupo visitará o sertão roseano, buscando os cenários e personagens que inspiraram Guimarães a criar seu universo sertanejo, tão fictício e ao mesmo tempo tão real, em Cordisburgo e Morro da Garça – MG.

O Esporte e a Olim Vila contribuindo com a formação complementar dos alunos

Futebol 1o ano

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Por Washington Nunes    

Algumas atividades fora do contexto do currículo auxiliam muito na construção de conhecimentos, valores e até na personalidade dos alunos e, justamente por isso, hoje eu gostaria de falar um pouco sobre a contribuição que o esporte pode trazer para nossas crianças e jovens.

Um aluno que não tem tanta habilidade pode, através dos treinos (e de seus estímulos), descobrir e desenvolver competências, fazer parte de um grupo/time/ equipe de competição, e vivenciar uma série de experiências motoras, afetivas, sociais e emocionais. Por outro lado, um aluno com grande habilidade encontra um espaço para desenvolver as suas competências, e também a paciência com os que estão aprendendo, auxiliando, inclusive, os professores no processo de ensino e aprendizagem das ações do jogo.

Outros alunos tímidos vão, pouco a pouco, aprendendo e entendendo a necessidade de se comunicar dentro do jogo e começam a conviver com algumas falas: “passa a bola… troca o marcador… passou… esse é seu… sai… volta, marca…”. Essa comunicação começa a aparecer com tanta naturalidade que, aos poucos, eles conseguem até levá-la pra fora da quadra.

Já enfrentar o público em jogos é uma das tarefas difíceis por que os alunos passam, pois, além de ter que entender como o adversário joga, de executar bem suas ações e de tomar boas decisões para poder vencer, eles têm que lidar com o medo e a insegurança de jogar na frente de pais, amigos e torcida.

Alguns alunos têm dificuldades em lidar com regras e, quando começam a treinar, entendem a necessidade de se organizar, descobrem que precisam conviver com as normas dos treinos e as regras do jogo e, com isso, conseguem diminuir o ímpeto de discutir com outros alunos, com o professor ou com os árbitros.

Dentro de um jogo, o ambiente se modifica o tempo todo e, para isso, os alunos precisam modificar constantemente seus papéis, pois, em alguns momentos, são atacantes e, em outros, defensores, e, como se veem obrigados a tomar diferentes decisões ao longo de uma partida, acabam desenvolvendo muito bem a autonomia.

Esses são alguns exemplos vividos no cotidiano de quem participa dos treinos esportivos.

Alguns desses processos acontecem nos treinos e também antes deles, durante e após alguns eventos, como festivais, encontros e competições.

E, por falar em competição, sempre pensamos em participar de um evento que valorizasse o desenvolvimento de todas essas ações.

Observamos que alguns eventos surgiam, tinham uma ascensão e, em poucos anos, desapareciam. Foram raros os modelos que conseguiram se estabelecer, apresentar boa flexibilidade para se adaptar às exigências das novas gerações e se mostrar, ano a ano, sólidos e com grande interesse dos participantes.

Além disso, pensamos também o quanto seria interessante participar de uma competição escolar que reunisse parceiros e não adversários, e que pudesse, como nós, oferecer também essas experiências para seus alunos.

Em função dessas reflexões, surgiu a ideia de criarmos a Olim Vila.

Um evento esportivo com a cara que queríamos: a de oferecer a competição, mas em que também pudéssemos discutir com os outros professores sobre comportamentos, ideias de treinamentos e formas de competição. E deu certo.

Deu tão certo que, em 2015, o Setor de Esportes da Escola da Vila realizará a 25ª edição da Olim Vila!

Vinte e cinco anos promovendo o esporte escolar e mantendo a característica principal: fazer do esporte um instrumento que auxilie efetivamente na formação dos alunos fora do contexto da sala de aula.

A Olim Vila/15 deve reunir aproximadamente 34 escolas convidadas, 1.750 alunos participantes e 85 professores envolvidos em uma grande festa do esporte.

Convidamos os alunos e os ex-alunos para prestigiarem a abertura, que será dia 09 de maio, sábado, das 19h às 20h, e também para enviar algum tipo de registro ou relato que pudesse comprovar parte do que aqui foi dito.

Tenho vivido e vivenciado todas essas etapas ao longo desse vinte e cinco anos e posso afirmar que, tanto no dia a dia dos treinos quanto na participação na Olim Vila, a contribuição do Esporte na vida de muitos alunos é uma feliz realidade.