Projeto jornalismo literário

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Por Angela Kim Arahta e Maíra Carmo Marquez

Quando chegam ao 1º ano do Ensino Médio, os alunos já viveram a experiência da leitura e de escrita de textos jornalísticos (entrevistas, reportagens, notícias) e de textos literários (contos, poemas). No 1º trimestre, esses dois âmbitos se aproximam, quando é desenvolvido o Projeto Crônicas.

Essa proximidade entre o jornalístico e o literário segue sendo objeto de estudo no 2º trimestre. O estudo do conto se aprofunda, por meio da análise da composição de personagens, do foco narrativo e dos tipos de narrador, da construção do tempo, do nó e dos conflitos. Paralelamente ao estudo de narrativas selecionadas para o trabalho com esses conteúdos, os alunos fazem a leitura de Sete vezes rua, de João Antonio, volume que reúne contos e textos jornalísticos literários, ambientados no Rio de Janeiro. Como indica o título do livro, é na rua que o escritor vai flagrar histórias e acontecimentos privilegiados, que marcam momentos cruciais para seus personagens. Seus protagonistas vivem situações de grande vulnerabilidade, num cotidiano feito de trabalho árduo, mas também de expedientes, de comércio miúdo, de pequenos crimes, de esmolas e de prostituição. Ao longo da leitura, encontramos a vida nas ruas do Rio de Janeiro, sobretudo do Rio não-turístico, deparamo-nos com o olhar das personagens para essas ruas e, na outra mão, com o olhar dos que nela transitam para as personagens.

Essa temática nos remete tanto à leitura de Clara dos Anjos, de Lima Barreto, realizada no 1º trimestre do 1º ano, quanto ao projeto Criticidades, desenvolvido na área de Ciências Humanas.

A proposta do trabalho de produção textual no 2º trimestre foi, portanto, produzir um texto jornalístico literário reportando um tema baseado na experiência da viagem de campo ao Rio de Janeiro; reportar, de forma literária, a realidade observada, o que implica explorar tanto o plano do conteúdo, que exige o trabalho com conceitos estudados em Geografia, quanto o plano estético.

Após muitas leituras de modelos, pesquisa e revisões, nossos alunos produziram excelentes textos. Convidamos você a apreciar algumas destas produções. Boa leitura!

“Vende-se a miséria!”, por Ana Carolina Amaral

“Areal x Asfalto”, por Gabriel Mazzetti Armesto

“Rio de Janeiro: será mesmo maravilhoso?”, por Juliana Akemi Rodrigues So

“Verde-amarelo-vermellho”, por Sofia Galvão

“A voz no muro”, por Gilda Prado

“O vazio da central”, por Mariana Assef

Uma mudança e tantos significados: a ida para o 1º ano

13_10_2014

“Eu vou pro 1º ano, já sou grande e vou ser maior ainda, vou ter meu estojo!”

“Eu vou aprender a escrever mais coisas, o meu nome eu já aprendi!”

“Eu vou ter aula de Educação Física, minha irmã me disse!”

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Por Fernanda Flores

Com a proximidade do fim do ano, passamos a acompanhar a curiosidade de nossos alunos da Educação Infantil, particularmente do Grupo 3, para com o primeiro ano do Fundamental. Passam a olhar com outros olhos os colegas e as professoras de 1º ano, não sendo raro vermos pequenas excursões de grupinhos interessados em espiar tudo que seja do 1º ano: a sala de aula, a oficina de arte, a aula de educação física etc.

É esperado que tenhamos um olhar sobre os desafios que enfrentarão, com as novidades inerentes a uma passagem tão cheia de significados. Em especial, temos uma expectativa social grande, que se explicita nas perguntas dos adultos sobre a conquista da leitura e da escrita, no aumento significativo de materiais que a criança passa a manejar (cadernos pedagógicos, estojo), na aguardada lição de casa, e numa progressão quanto ao tempo de permanência nas atividades, entre outros marcadores que indicam às crianças que estão em um novo estágio da vida escolar.

A Educação Infantil goza de uma identidade muito própria. As crianças vão à escola e aprendem a estar com outras pessoas, em um novo contexto. Em grande parte, é por meio da confiança que estabelecem com seus professores que conseguem se vincular às variadas demandas do ambiente escolar. A estruturação particular das atividades, do tempo, do espaço e do brincar caracterizam a peculiaridade desse segmento.

O sentimento de pertencer a um grupo, de ser uma pessoa importante e querida, e a percepção crescente da capacidade de aprender são aspectos fundamentais da formação de nossos pequenos alunos, que seguem como centrais nas séries iniciais do Fundamental.

Nessa passagem, a articulação de diferentes propostas dentro da rotina de trabalho é um importante recurso para que as crianças tenham um ritmo de trabalho que equilibre situações com grau e tipo de atenção diferentes, e possam estar envolvidas e interessadas nas atividades propostas. Em meio a situações das mais diversas, as crianças expõem o que sabem, ouvem e pensam sobre os comentários dos outros, enfrentam problemas, consideram informações apresentadas pelos colegas e professores e, a partir de tudo isso, produzem e aprendem.

Assim, no primeiro ano, cuidamos para que, rapidamente, elas reconheçam uma rotina que organiza a experiência escolar. Sabemos como é importante para as crianças preverem aquilo que acontecerá em seu período na escola, e a rotina lhes dá a segurança necessária para aproveitarem seu dia, com a certeza do que esperar para a próxima jornada.

Entendemos que é essa experiência anterior que move e instiga cada uma das crianças a viver intensamente a nova fase escolar que se aproxima. E, como parte desse processo de transição, envolvemos os alunos intencionalmente em visitas e entrevistas para que possam, mais e mais, ficarem curiosos e desejosos do que têm pela frente!

Simpósio interno… “Pra que isso, meu Deus?”

8_10_2014

Por Ivone Domingues 

Na terça-feira passada, se você encontrasse alguém xingando baixinho pela escola poderia ter certeza de que havia uma forte razão para isso. Era a data-limite para a entrega do texto do Simpósio.

Nesta semana, iniciamos este momento simbólico na cultura da Escola da Vila, o Simpósio Interno 2014, ocasião em que cada membro da equipe pedagógica apresenta − em mesas de debate − o artigo que produziu ao longo do ano sobre sua prática profissional. O tema deste ano é a produção dos alunos.

Acompanho o Simpósio desde a sua criação, em 2005, e todos os anos tenho a sensação de presenciar um certo “milagre institucional”. Criamos “tempo no tempo”.[1] Em meio a tantas tarefas inerentes ao cotidiano escolar, todos se disponibilizam a escrever sobre seu trabalho e se dispõem a compartilhar essa produção em conversas cheias de ânimo, curiosidade e respeito. Nos encontros do Simpósio − neste ano teremos quatro datas e cerca de noventa trabalhos − há sempre um clima de entusiasmo, de certa vibração, o que me faz perguntar: “De onde vem isso?”. Afinal, depois de ouvir tantas lamentações… “Não vou conseguir, é uma sobrecarga enorme!”, “Conheço tanta gente que trabalha em outras escolas, ninguém precisa fazer isso!”.

Como o “milagre” se mantém, ano a ano, suponho que tenha algo que outorgue muito sentido à tarefa. Talvez esse sentido tenha origem na sensação de autoria, na oportunidade de dar e de receber novas contribuições para o projeto da escola, mas também, e por que não dizer, principalmente, na ruptura da relação rotineira com o trabalho, na possibilidade de olhar para ele de modo mais reflexivo e culto, na sensação de se sentir parte de um coletivo que aprende permanentemente.

Produzir esses artigos demanda um trabalho intelectual forte. Debatê-los envolve exposição, confronto de ideias, o que dá sempre um certo “friozinho na barriga”, mas possibilita que cada um olhe de forma distanciada e reflexiva para a própria produção do dia a dia, enxergue-a a partir do olhar dos outros, o que permite que conheça mais profundamente e de modo mais amplo a proposta da escola. Entender melhor o que de fato acontece na escola como um todo nos torna mais conscientes da cultura pedagógica presente na instituição em que atuamos. O que, independentemente da nossa maior ou menor experiência institucional, sempre nos surpreende positivamente com a excelente qualidade do ensino que aqui se pratica.

Como a memória é algo sempre em reconstrução, vale a pena retomar os principais motivos que levaram a Escola da Vila a criar esse “malbendito” Simpósio. O maior propósito do Simpósio é fomentar algo que consideramos central para todos os profissionais da educação: a prática da escrita reflexiva. O Simpósio foi criado para isso. Para promover o que Donald Schön (1983) denomina de reflexão sobre a ação, uma análise a posteriori realizada pelo professor sobre as características e os processos do seu trabalho.

Com o passar dos anos, pela própria formação dos participantes, vários deles com mestrado, doutorado, pós-doutorado, os trabalhos foram se sofisticando e ganhando contornos mais acadêmicos. Esse aumento do nível de exigência se instaurou no grupo. Porém, sem a intenção de diminuí-lo, é preciso retomar o propósito inicial: espera-se que cada membro da equipe se dedique a refletir sobre o seu trabalho, usando a escrita como meio de tomar distância da sua prática pedagógica, possa problematizá-la, e se disponha a dialogar com seus pares a partir dessa produção. Sabemos que o estudo, a teoria, quando tomados com sentido são sempre necessários para avançar, mas é preciso dizer também que tão ou mais importantes são as ideias próprias, é a problematização do que se vive no ambiente escolar, pois é a partir desse debate que o conhecimento coletivo se constrói.

A Escola da Vila tem uma tradição de valorização das práticas de linguagem no seu currículo. É referência no ensino dessas práticas aos alunos. Como entende que o domínio desse conhecimento nunca está completo e o reconhece como central para a possibilidade de reflexão e troca profissional, sempre cultivou a escrita reflexiva nos seus processos de formação permanente. A organização do Simpósio, proposta sugerida por um antigo professor de história, Daniel Helene, deu um sentido maior a essa prática já existente, que carecia de um espaço de comunicação interno organizado no qual pudesse completar seu percurso. Cito isso porque acho relevante que a ideia tenha surgido de dentro do corpo docente. Revela que a valorização da escrita, do debate, assim como o espaço de construção coletiva do conhecimento é algo inerente à dinâmica da escola.

Após os encontros, alguns trabalhos são selecionados para compor uma revista digital que é encaminhada aos participantes do Centro de Formação e fica disponibilizada no site, possibilitando que a comunicação se amplie para outros âmbitos. Aos que se interessam pelos temas do ensino, sugiro que confiram os números anteriores e aguardem a publicação deste ano com ideias fresquinhas sobre o nosso trabalho.

Bom Simpósio para todos!

[1] Essa expressão foi usada por Patricia Sadovsky na palestra de abertura do simpósio de 2009 e nos deixou muito instigados. Voltamos a ela algumas vezes, tentando compreender o seu significado.

Quem ri por último ri melhor?

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Alunos dos 1º anos do Ensino Médio assistem ao documentário “O Riso dos Outros”

Por Joana Neves, Lucia Miguez, Sofia Rayol e Susane L. Sarfatti 

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“No âmbito intelectual, autonomia significa autogoverno assim como heteronomia é ser governado por outrem. Um exemplo extremo de autonomia intelectual é o de Copérnico, que inventou a teoria heliocêntrica quando todos os demais acreditavam que o Sol girava ao redor da Terra. Chegou a ser ridicularizado e afastado da cena acadêmica, mas foi autônomo o bastante para continuar convencido de sua própria ideia.”
Constance Kamii

Estamos envoltos em uma série de dilemas morais e éticos em nossa vida diária, até nas atividades mais simples, como assistir a um standup. O documentário “O riso dos outros” propõe questionarmos: Do que rimos? Por que rimos? O que o nosso riso revela? Quem é o alvo da piada? À medida que o filme avança, sentimo-nos impelidos a refletir sobre os nossos valores e passamos a perceber que a ética é relativizada por alguns homens do riso fácil.

Assim, no início da projeção, os alunos riam bastante, mas, no decorrer do documentário, percebemos a gravidade dos assuntos das piadas, muitas vezes preconceituosos, o impacto delas para quem as ouve e ri sem perceber que são politicamente incorretas, e o efeito que podem ter na sociedade, gerando mais preconceito. Depois de alguns minutos do filme, o riso foi diminuindo até chegar a um silêncio absoluto. No entanto, também é possível perceber uma leve mudança nos temas das piadas: de mais inocentes para mais agressivas, reafirmando a opressão a grupos de minorias existentes em nossa sociedade.

O filme é feito de entrevistas com pessoas que defendem a piada politicamente incorreta ou não, personalidades como o cartunista Laerte, humoristas Danilo Gentili e Rafinha Bastos, o deputado Jean Wyllys e muitos outros. Vemos, ao longo dos depoimentos, inúmeras opiniões de lados opostos, porém, este claramente não é neutro, e o espectador muitas vezes cria ou embasa melhor uma opinião a partir daquilo a que assiste. Fica claro que rir primeiro ou por último de uma comédia é bem diferente do que rir de uma ofensa.

O documentário traz reflexão e conscientização sobre um assunto aparentemente banal, mas com consequências graves, dependendo do seu uso. Logo, o filme propõe que rir das minorias, de quem já é discriminado sempre, é fácil; o difícil seria rir de quem sempre discrimina, encontrar na classe opressora algo para nos fazer rir.

No final, cada aluno deixou seu depoimento em pequenos papéis coloridos formando uma impressão geral da classe, permitindo-nos compartilhar as reflexões com outros alunos de forma autônoma e anônima. É muito interessante lê-las, a perspectiva de cada um é única, o que nos ajudou a ter uma visão mais ampla do documentário.

Para quem ainda não viu, segue o link para o filme: O Riso dos Outros

Imagina isso: um grupo de alunos que resolveu fazer teatro!

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Por Luíza Zaidan

Imagine uma ex-aluna que se encontrou com o teatro nos corredores da Vila, se formou como atriz e agora volta à sala de aula, como assistente do grupo do Ensino Médio. Imagine como foi acompanhar esse processo.

Primeiro, imagine o cenário: uma turma querendo apostar no encontro com o público, para sentir na pele as dores e a delícia de fazer teatro.

Depois, imagine o pretexto: o texto que dará voz à turma. O contexto que reunirá aqueles jovens no palco, aprendendo a se organizar como grupo, vencendo desafios e se divertindo – diversão, é esse o objetivo número um do teatro.

Blecaute, nosso “texto-pretexto”, começou assim. Abrigando um monte de anseios, desejos e, sobretudo, a vontade incessante de contar uma história. De dar vida a um relato de outro jovem, dessa vez escocês, que passou por situações de violência na escola, reagiu e foi parar na prisão, de onde começa a narrar sua experiência.

Foi partindo do relato desse garoto, que inspirou a peça de Davey Anderson, que o grupo se preparou para seu grande encontro: o dia em que a experiência teatral se completa. É quando um sujeito se coloca diante de outros e representa. E comunica. E questiona, é questionado, estimula reflexões, críticas, se expõe, abre espaço para o erro; tropeça e se levanta. Tudo diante do público, que é testemunha, mas também é cúmplice daquilo que se vivencia durante uma apresentação. Porque jogo é jogo e treino é treino. Somente quando um espetáculo sai da sala de ensaio e encontra seu espectador é que ele realiza seu propósito, fechando o círculo da criação artística.

Mas, sem treino, não tem jogo. Logo nos primeiros ensaios de Blecaute, a coisa foi tomando forma. A linguagem estética que vestiria nossa história foi surgindo a cada pequena cena. “E se a gente empilhar duas mesas para fazer a cela da prisão?” Aos poucos, mesa foi virando cadeia, apartamento, cidade. Tudo cabia naquela sala de aula fechada: de manhã, problema de matemática, lição de biologia, experimento de química. À tarde, a cada sexta-feira, aquele espaço ia sendo transformado em ficção.

No início do texto, o autor já avisa: “Esta peça não vem com manual, nem com uma série de instruções para sua encenação.” Melhor ainda! Éramos os novos donos daquela história e poderíamos contá-la da forma que achássemos melhor. A narrativa do protagonista, permeada por atos violentos e consequências graves, precisava caber na boca de uma turma inteira, com suas questões e características particulares. Como aproximar dois universos distantes geograficamente, mas semelhantes na idade, nos conflitos e nas relações? Como trazer a história de Thiago, um estudante escocês, para a realidade da nossa escola, nossa sociedade, nosso tempo? A resposta veio dos próprios alunos. Ninguém melhor do que eles para captar os acontecimentos contemporâneos, processá-los e transformá-los em recurso estético, em tema de discussão. Assim, eles construíram a ponte entre a realidade que observam e a ficção que estavam trabalhando. As músicas que aprenderam nas passeatas de junho viraram parte do espetáculo, as gírias que pareciam mais adequadas para o nosso contexto foram selecionadas. E o público assistiu a uma peça que buscava dialogar com o tempo em que foi montada.

Repetir, repetir e repetir. Estrutura desenhada, era a hora de colocá-la em funcionamento, aprimorá-la através da eterna repetição que faz o cotidiano do trabalho teatral. E, a cada repetição, uma descoberta. Um problema surge e, com ele, a necessidade de solucioná-lo organizando-se como um coletivo, assumindo a responsabilidade de colocar um projeto em prática e vivenciá-lo com dedicação. Ensaios de domingo, falas sem decorar, faltas, atrasos. A estrutura começa a enguiçar e a pedir reparos. É aí que surge o espírito de grupo. A liderança que se articula e passa a motivar o resto da turma, lembrando sempre qual é o objetivo disso tudo: por que fazemos teatro?

Porque fazemos teatro? Por que ele auxilia a capacidade de comunicação do aluno? Pode ser. Por que o teatro amplia o potencial criativo, estimula novas habilidades, desenvolve o aspecto lúdico do adolescente? Também. Por que o teatro traz o contato com referências culturais que enriquecem a bagagem intelectual? Sem dúvida. Por todos esses aspectos, mas, principalmente, por nenhum deles. Porque o teatro, como todas as artes, é inútil, por definição. E sua função está justamente no espaço que se abre com a certeza de sua inutilidade. Nessa lacuna que rompe o cotidiano cheio de obrigações e certezas, surge lugar para o erro. O descompromisso do jogo cênico, a brincadeira criativa, possibilita e ensina uma forma de se relacionar com a sociedade, analisando-a e interferindo em sua dinâmica através da ótica do constante experimentar, sem a obrigatoriedade de concluir ou acertar.

Agora, imagina isso: uma turma de alunos que apostou no encontro com o público. Que enfrentou o risco da exposição e se permitiu errar. Que se divertiu, se emocionou. Que refletiu e fez refletir quase duzentas pessoas, reunidas em uma única noite. Dispostas a participar de algo vivo, pulsante. Uma experiência cheia de falhas, imperfeições que só autenticam seu valor.

Agora, imagina isso: uma turma repleta de diferenças que acabaram se somando. Um grupo que começou a amadurecer junto. Um texto com conflitos atuais. Tudo isso em uma apresentação, na quadra da escola. A noite já pela metade. Imagina. A ansiedade de mostrar o trabalho e a dedicação de todo um semestre. A realização, ao ver esse trabalho quase concluído. Imagina que eles já estão nas últimas falas. Falta pouco para a peça acabar. O público confinado, circundado pelos alunos/atores que o têm sobre controle, conduzindo-o através da história que escolheram contar.

Agora imagina isso: é a minha deixa. Estamos no final da apresentação. Eu corro até a caixa de luz. Desligo as chaves de energia. A luz se apaga.

Blecaute.

De longe, posso ouvir os aplausos.

Por último, imagine isso: para quem perdeu as primeiras apresentações de Blecaute ou quer rever essa história, aqui vai mais uma oportunidade. O grupo de teatro da Vila foi selecionado para o Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil e se apresentará no dia 03/10/14, às 15h, no Teatro Santos Dumont (Avenida Goiás, 1.111, Santa Paula – São Caetano do Sul). Esperamos vocês lá.

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Luíza Zaidan, Graduada em Artes Cênicas pela UNICAMP, participou como atriz em peças como Quase Muda e A Hora em que não sabíamos nada uns dos outros. É professora do curso de extensão curricular de teatro do F2 e assistente no grupo de teatro do Ensino Médio.

Normas, regras, e organização da vida coletiva na escola

Web

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Por Sônia Barreira

Costumamos dizer aos alunos que temos poucas e boas regras para organizar nossa vida diária dentro da Escola da Vila. Nosso regimento menciona algumas, e nosso Guia de Convívio as explica e fundamenta. Mas, nos últimos tempos, tem sido árdua a tarefa dos orientadores no sentido de lidar com as exceções solicitadas por pais e alunos, em contextos diversos.

Por que regras?

As regras surgem justamente para colocar ordem nos imprevistos, nas situações particulares que podem atrapalhar o funcionamento coletivo. Elas são respostas às necessidades identificadas pelos educadores e jamais reflexo de caprichos ou inflexibilidade da escola.

No entanto, pode parecer que basta existirem regras e punições que o trabalho educacional estará realizado. Tratando-se de educação básica, isso não é suficiente. A compreensão da regra e sua interiorização são mais importantes para a construção da moralidade, do senso de coletividade, do que sua imposição cega, que seria apenas a obediência. E já superamos a ideia de que a obediência é o objetivo final, ao contrário, a meta é a construção da autonomia, a capacidade fundamental de distinguir moralmente o que é certo do que é errado para o indivíduo e para o coletivo.

Por outro lado, a construção de vínculos de confiança e a convicção de que a instituição escolar não toma medidas aleatórias é fundamental para que possamos legitimar o papel dos educadores. Por essa razão, precisamos também da compreensão e do apoio das famílias.

Nossa proposta para os próximos posts é abordar algumas regras, a necessidade das mesmas, os problemas que ocorrem se elas forem flexibilizadas, e o trabalho realizado para que sejam compreendidas pelos alunos. Será também uma boa oportunidade para divulgarmos trechos de nosso regimento interno, documento que oficializa as normas e sustenta as posturas adotadas pela escola em diversas situações.

Projeto político-pedagógico: o que comunicar à nova família

Door in Forest

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Por Susane L. Sarfatti

Em uma aula na faculdade de psicologia o professor fazia uma profunda e detalhada explanação sobre a primeira infância, suas características e conflitos, quando uma aluna o  interrompeu:

− Professor, eu entendo as suas explicações, mas a minha dúvida é: Por que os primeiros anos de vida são tão importantes para Freud?

− Ora, porque são os primeiros! – respondeu-lhe o professor.

O diálogo acima é de grande simplicidade, mas traz uma verdade: os começos são importantes, justamente por serem um primeiro momento, um marco zero. O primeiro beijo, a primeira viagem, a primeira escola, o primeiro dia de aula muitas vezes são inesquecíveis, deixam marcas. Assim, é preciso cuidar bem do atendimento inicial a uma família nova na escola, é o início de uma nova relação. Usando um pleonasmo, diríamos: é preciso cuidar com muito cuidado.

Em poucas palavras podemos definir que cuidar significa estar atento ao bem-estar do outro. Nesse caso, é preciso planejar o encontro em todos os seus detalhes para que seja um “bom começo”. Organizar o tempo, o espaço, o material, as formas de interação e, especialmente, o que abordar sobre o projeto político-pedagógico da escola.

Uma escola sem projeto político-pedagógico, o chamado PPP, é como uma casa sem teto e sem chão; pode até ter sido feita com esmero, mas só pode se localizar na rua dos bobos, parafraseando o poema “A Casa”, de Vinicius de Moraes.

O PPP é um documento que expressa a identidade da escola, reúne os princípios educacionais e pedagógicos, orienta as ações cotidianas, e não pode ser percebido somente como uma exigência legal. Ele deve ser construído coletivamente por toda a equipe pedagógica, de forma que todos se sintam responsáveis pelo seu conteúdo, se comprometam com as metas traçadas e trabalhem no dia a dia da escola concretizando-o em ações com os alunos.

Mas, o que comunicar aos pais novos sobre o PPP? Certamente, não é possível abordar sua totalidade, seja porque não seria de interesse das famílias, seja porque o tempo não é suficiente. Mas mesmo que fosse, seria preciso exemplificar a forma em que o PPP se expressa na sala de aula e na escola como um todo para a formação do cidadão que se almeja.

É importante que a família e o aluno (a depender da idade) compreendam alguns aspectos básicos do PPP por meio de exemplos:

  • Ensino das diferentes disciplinas: O professor inicia um conteúdo com uma questão/ problema para que os alunos pensem, discutam e elaborem hipóteses. Ou o professor explica o novo conteúdo e pede para os alunos exercitarem?
  • Concepção de aprendizagem: Aprender é repetir o que foi ensinado ou é estabelecer relação com outros conhecimentos já aprendidos?
  • Interação entre os alunos: Somente no recreio os estudantes interagem, porque na sala de aula o professor precisa de silêncio para explicar bem os conteúdos?Ou os alunos são colocados em duplas e grupos para discutir suas hipóteses sobre determinado conteúdo e a partir daí o professor organiza a situação didática?
  • Processo de avaliação: As avaliações servem para medir o que o aluno sabe e certificá-lo? Ou estão a serviço do aluno e do professor para que possam fazer ajustes no ensino e na aprendizagem?
  • Materiais utilizados: São adotados livros didáticos, apostilas ou materiais produzidos na própria escola? E qual a qualidade dos mesmos?
  • Carga horária para cada disciplina: São muitas disciplinas com carga horária reduzida para cada uma ou menos disciplinas com maior carga horária?

A quantidade de informação sobre o PPP às novas famílias depende não só da seleção prévia do conteúdo, mas também das questões que são trazidas pelas mesmas. Contudo, é essencial que o PPP seja percebido pelos pais não como uma carta de intenção mas, sim, que seja expresso na prática da sala de aula, no cotidiano da escola. Desta forma, será possível construir com a nova família uma relação sólida, muito diferente da “casa engraçada, sem teto, sem nada, sem parede para pendurar a rede para dormir, sem penico para pipi”.

Ensino formal e informal: o exemplo do intercâmbio

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Por Fermín Damirdjian

Qual a função da escola? Uma pergunta simples, curta, sucinta, objetiva, que sugere uma resposta da mesma natureza. A princípio. Somente a princípio. Se traçarmos a trajetória histórica da instituição escolar, veremos, em linhas muito gerais que, na era moderna, ela foi de uma instituição necessariamente exclusivista e praticada dentro de padrões bastante rígidos, para um novo formato em que se tornou obrigatória a absolutamente todos os membros da população de qualquer país.

Ora, enquanto era exclusivista, era perfeitamente coerente que tivesse um  formato rígido e claro sobre quem e como podia permanecer dentro de seus portões. Ao tornar-se a educação, gradualmente, um direito e uma obrigatoriedade universais, seria um contrassenso que a escola mantivesse uma configuração rígida, pautada por um formato único, como se houvesse uma só forma de ensinar, de transmitir conhecimento, de estimular a atividade intelectual, de abrir espaço para um bom desenvolvimento subjetivo e de cultivar noções básicas de ética e de cidadania.

Talvez com essas linhas tenhamos conseguido traçar, de maneira breve, a função da escola. O que nos interessa aqui, em todo caso, é delinear algo sobre o que a escola pode oferecer a essa diversidade de alunos e de metas que ela tem em seu horizonte. Se o público e a meta são tão amplos, também devem sê-lo as atividades e oportunidades oferecidas pela escola a seus alunos. E, é claro, essa diversidade ainda permanece superposta a estruturas que fazem parte da nossa cultura e das concepções escolares tradicionais.

Há muitas experiências de instituições escolares buscando esses formatos, e não é novidade que encontraremos uma grande variedade deles: dos mais convencionais, que remetem ao valor secular da escola, onde a ordem e a hierarquia são parte fundante da trama que conduz os alunos a se tornarem jovens homens e mulheres, até os outros que permitem maior diversidade de escolhas e de trânsito entre saberes, respeitando e estimulando o desejo de aprender e o desenvolvimento das permanentes negociações horizontais que fazem parte da vida coletiva onde inevitavelmente estamos inseridos.

A Escola da Vila não se situa em nenhum desses extremos. Mas encontramos elementos mais numerosos do segundo exemplo do que do primeiro, e será dentro de um deles que encontraremos nosso foco neste texto.

Consideremos os seguintes cenários.

  1. Alunos que,  ao longo do ano, em um encontro semanal de duas horas, vão traçando a trajetória histórica da Argentina, através da qual identificam elementos da economia e da política a partir da década de 40, e que convergiram à situação socioeconômica em que o país se encontra nos dias atuais. Filmes, leituras, aulas expositivas e uma construção de uma linha do tempo em conjunto permitem aos alunos não apenas registrar fatos históricos, mas encontrar correlação com aquilo que já estudaram nas matérias de Ciências Humanas aqui na Vila. Ao longo do primeiro e segundo anos desse segmento, eles já abordaram temas como os modelos de civilização incorporados da Europa e traduzidos, dentre outras formas, em desenhos urbanos encontrados nas atuais metrópoles da América Latina; a concepção de um espaço produzido a partir de seu uso, onde cumprem papel fundamental a circulação de pessoas e de mercadorias; o reconhecimento desse espaço a partir de metodologias de observação objetiva ou de vivências, segundo concepções de diversas correntes da antropologia e da sociologia; os regimes totalitários que se disseminaram na primeira metade do século XX a partir da Europa, e os governos populistas na América Latina; o pós-guerra, a Guerra Fria, as ditaduras militares na América do Sul, a redemocratização nos anos 80, o neoliberalismo nos anos 90 e as crises financeiras dos 2000. Nesse contexto, o grupo de alunos do curso extracurricular “Língua espanhola e cultura argentina”, abordam a notícia sobre o reconhecimento genético do neto da fundadora do grupo Abuelas de Plaza de Mayo, fundado em 1976, em Buenos Aires, durante a ditadura militar. Este neto, hoje com 36 anos, veio a público por ter se submetido voluntariamente a exame de DNA em agosto de 2014. Os alunos da Vila, membros desse curso, estão recebendo a notícia em uma aula conjunta com o grupo de alunos argentinos que estudam no Colegio de la Ciudad, escola parceira da Vila, localizada em Buenos Aires. Os argentinos, nesse caso, atualizam os brasileiros sobre a importância dessa notícia. Os brasileiros, por sua vez, explicam aos estrangeiros sobre o andamento da recente Comissão da Verdade, no Brasil.
  2. “Mapa subjetivo” é o nome dado a um registro de trajetória que se pauta mais pelas impressões do viajante do que o registro cartográfico que ele pode fazer ao percorrer um determinado território. Mais ainda, sua trajetória pode produzir marcas que permaneçam para aqueles que os hospedaram e que conviveram com eles nesses dias. Para além de uma marca afetiva, trata-se de construir, com algum resultado material, os frutos desse olhar estrangeiro que, frequentemente, lança uma nova luz sobre aquilo que estamos habituados a percorrer de forma automática, já que incorporada em nosso dia a dia – o que pode se aplicar a uma paisagem urbana, um lanche que comemos mecanicamente, uma forma de evitar o transporte público em nossa cidade, formas de estudar, de  assistir aula, de fotografar ou do que quer que seja. O olhar estrangeiro oferece um estranhamento que já não temos. As viagens de estudo de meio, em grande parte, procuram aguçar o olhar dos nossos alunos como antropólogos em seu próprio país. Ao realizarem um intercâmbio, recebendo alunos de Buenos Aires e hospedando-se, depois, nessa cidade, inserindo-se no cotidiano de outros adolescentes, são impelidos a perceber características culturais marcantes com as quais convivemos e sobre as quais não nos damos conta. A Vila ofereceu, assim, um espaço para que os alunos argentinos produzissem seu mapa subjetivo de forma a deixá-lo como registro de memória em intervenções plásticas nos jardins e nos corredores da Escola da Vila.
  3. Em contraste com a história e a topografia de duas metrópoles próximas mas muito diferentes entre si, Buenos Aires e São Paulo, o grupo composto por argentinos e brasileiros que compõem o intercâmbio tem uma aula sobre a história de São Paulo e seu desenho urbano. Como preparação para uma saída de todo o grupo para o centro da cidade, montamos uma aula com o mapa aberto na classe  e o registro dos diferentes momentos de ocupação de São Paulo, desde as primeiras construções às margens do Tamanduateí até seus crônicos problemas de transporte, passando pelos bolsões residenciais desenhados pela Companhia City. Feito isso, o grupo sai para experimentar essa dificultosa locomoção pela cidade até o Mercado Municipal e circulação em seu entorno. Experiências similares aguardam o grupo em Buenos Aires.

Essas três situações pinceladas rapidamente nesses parágrafos indicam os traços de uma atividade voluntária, extracurricular, que em momento algum deixa de estar vinculada ao repertório apresentado aos alunos na Escola da Vila em sala de aula. Por isso é que se torna inevitável descrever esta proposta sem passar por tantos elementos culturais, sociológicos, perceptivos, históricos, ou com tantas outras adjetivações possíveis.

Por que conceber uma alternativa como essa? Porque para muitos a sala de aula é suficientemente desafiadora, enquanto para outros há algo a se buscar para além dela. Isso não significa que nos atemos ao rendimento dos alunos, para só então oferecer mais. Mas significa que há muitas formas de aprender e de deparar-se com desafios. Há um exercício necessário a todo aluno para buscar a teoria na sala de aula, conseguindo ouvir e diferenciando uma simples leitura de um verdadeiro estudo de um texto. Ainda assim, para além disso, são muitos os alunos que ora complementam esses estudos com outras possibilidades, ora encontram em espaços diferenciados do convencional uma oportunidade de desenvolver competências de forma exponencial, auxiliando inclusive sua prática de aluno dentro da classe.

Experimentar uma vivência pessoal junto a um estrangeiro hospedado em sua casa, e a um grupo que se forma em torno de um intercâmbio internacional é uma maneira muito rica de se aproximar daquilo que a escola se propõe a oferecer: estimular a atividade intelectual, abrir espaço para um bom desenvolvimento subjetivo e cultivar noções básicas de ética e de cidadania. E, é claro, essa é apenas uma forma possível. Há muitas outras em andamento em nossa escola e em muitas outras instituições. Sempre vale a pena compartilhá-las, pois o desafio é grande.

Prêmio da Fundação Victor Civita Professor nota 10

Por Andréa Dias Tambelli 

Frequentemente, escrevemos para o blog da Escola da Vila e, especialmente desta vez, fui convidada a compartilhar o trabalho que realizei com os alunos do 2º ano sobre medidas e pelo qual fui premiada pela Fundação Victor como “Professor nota 10”.

Este prêmio veio ao encontro da minha satisfação em relação às aprendizagens alcançadas pelas crianças. O que me deixou duplamente feliz.

Esta sequência de trabalho favorece a realização de muitas medições que foram feitas para o preparo de alguns alimentos, tomando como referência uma seleção de receitas que contém medidas de massa e volume, especialmente, como uma oportunidade que oferece sentido às medições.

O trabalho com receitas oferece uma gama de possibilidades de medições exatas e aproximadas (colher, xícara, gramas, unidades, litro), usando instrumentos convencionais e não convencionais. Nesse trabalho, as receitas foram escolhidas de modo a contemplar diversas possibilidades para que, posteriormente, fossem discutidas e problematizadas.

Este conjunto de atividades teve por finalidade também contextualizar a necessidade de comparar diferentes unidades de medida, conhecer novos instrumentos para medir e assim, garantir aproximação a novos conteúdos relacionados à proporcionalidade, além da possibilidade de fazer estimativas quanto ao peso dos ingredientes.

Os alunos foram convidados ainda a pensar sobre o dobro e a metade de uma receita, pois estas seriam oferecidas a outras classes demandando o ajuste das porções em relação a quantidade de alunos. E algumas perguntas se colocavam:

Qual é o dobro de meia xícara de água? Quanto pode ser a metade de três colheres de água?

A ideia de dobrar e propor a metade de uma receita, não é de forma alguma trabalhar com números fracionários nesse momento da escolaridade, porém, esses números se apresentam nas receitas e essa é uma oportunidade de colocar os alunos para pensar sobre essas relações. A proposta não é sistematizar conteúdos dessa natureza e sim, promover situações para que os alunos, dentro de um contexto real, possam ampliar seus conhecimentos sobre números.

Os alunos ficaram muito envolvidos pelas propostas durante toda a sequência. Aprenderam muito sobre unidades de medidas e medições. Puderam ampliar ainda mais os conhecimentos relacionados aos números e como eles se organizam, ainda que com ajuda, para que o preparo das receitas tivesse êxito.

Fiquei muito satisfeita com o trabalho e aproveito para agradecer a toda a equipe da Escola da Vila, que tanto favorece reflexões acerca do ensino, oferecendo interlocuções de qualidade apoiadas no estudo e comprometimento de seus profissionais. Agradeço também todas as manifestações de carinho que recebi. É mesmo muito gratificante ser reconhecida por um trabalho realizado, com o qual pude observar tantas aprendizagens conquistadas.

Conversa de Professor 3: reflexões sobre o atendimento à diversidade

15_08_2014

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Por Zélia Cavalcanti

Como aconteceu nos últimos dois anos, em meados de julho lançamos um novo número da revista Conversa de Professor, divulgando reflexões pedagógicas gestadas durante o planejamento escolar e socializadas com a equipe durante o anual Simpósio Interno da Escola da Vila.

O processo de produção dessa publicação se inicia nas primeiras semanas de trabalho de cada ano, quando nossos profissionais são convidados a dedicar atenção especial a um determinado tema relacionado à atividade docente, sobre o qual terão que escrever já que, no segundo semestre, durante o simpósio interno, será ele o centro das apresentações e discussões.

Em 2013, o foco dessa atenção foram os procedimentos de ensino que melhor atendiam à necessária relação entre os princípios da interação e da diversidade. Cada profissional, grupos de série ou segmento deveria identificar, descrever e analisar os mais eficientes em termos da produção de novas e melhores aprendizagens para todos.

No percurso investigativo para a identificação de quais seriam, dentre as propostas já em uso, as mais adequadas em função dos conteúdos específicos e do momento de escolaridade de cada grupo de alunos – aquelas que envolviam um conjunto de ajudas diferenciadas para que todos os alunos de uma mesma classe aprendessem determinados conteúdos, mesmo estando em diferentes momentos do processo de aprendizagem – professores e orientadores, da Educação Infantil ao Ensino Médio, reconheceram que trabalhar em parceria, com colegas de série ou segmento, era um caminho não só possível, mas também desejável e proveitoso. Viram também que, em algumas condições específicas, envolvendo conteúdos a ensinar e o momento de aprendizagem de alguns alunos de seu grupo, a produção de um suporte material específico era fundamental. Selecionamos, para o terceiro número de Conversa de Professor, dez artigos que exemplificam esses encaminhamentos e as parcerias que se mostraram indispensáveis para os resultados alcançados.

Nas edições de 2012 e 2013, cerca de dois mil exemplares impressos foram distribuídos a educadores de escolas parceiras e aos inscritos nas ações de formação, presenciais, organizadas pelo Centro de Formação; e uma versão digital do formato impresso foi também disponibilizada na área de publicações do site.

Agora, em 2014, seguindo a política de digitalização da comunicação do Centro de Formação, decidimos iniciar a transição para transformar essa publicação em revista digital. Nesse sentido, para esse número, não teremos mais a versão impressa, apenas a versão digital, disponibilizada no site também com possibilidade de leitura em tablets e smartphones. E, em 2015, ao ser publicada, já estará redesenhada para atender as características das edições eletrônicas.

Conheça Conversa de Professor 3