#35anosescoladavila

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Escola da Vila e eu, uma história antiga e duradoura

Por Sandra Durazzo

Meu nome é Sandra Durazzo ou, como costumam se referir a mim aqui na Escola da Vila, a Sandra de inglês. Mas a minha história não começou com inglês, ou melhor, começou sim. Eu sou professora mais ou menos desde que nasci. Meus melhores amigos sempre me disseram que, faça o que fizer, você “É” professora e sempre será. Estavam certos. Foi por meio de aulas de inglês para executivos, num momento em que a minha carreira de engenheira tinha ficado de lado devido à maternidade, que eu conheci o Thomás, a Sônia e a Escola da Vila. Na época, procurava uma escola para a minha filha mais nova e, ao conhecer o projeto da Vila, senti que aqui ela seria feliz. E foi. Ela, e logo depois meu filho mais novo, viveram momentos marcantes desde o grupo 1 até a formatura no Ensino Médio. Hoje são jovens adultos daqueles que, depois de conversar um tanto, pensamos: “Que gente bacana!”.

E como é que virei a Sandra de inglês? Bem, após alguns anos de festa junina, reunião de pais, festa para as professoras dos filhos, enfim, de curtir o papel de mãe da escola, a Sônia me deu um voto de confiança gigante ao me convidar para dar aulas de inglês substituindo a professora Zínia, que tinha decidido seguir outros caminhos. Cheguei sem nem entender algumas das perguntas e respostas nas reuniões pedagógicas e, graças à generosidade e à paciência da Ivone, aprendi muito, construí muito e fiz inúmeras relações maravilhosas com alunos, professores, funcionários e pais (meu facebook é recheado de ex-alunos com seus filhos, mestrados, carreiras e conquistas).

As portas que a Escola da Vila me abriu foram incontáveis. Pude participar da construção do projeto de inglês na escola. Contribuo até hoje com a consolidação desse projeto e a formação dos professores. A empresa que montei com a Vera, outra professora da escola, multiplica o saber adquirido. Os cursos do Centro de Formação que ministro me proporcionam a chance de pensar a educação em uma perspectiva mais abrangente do ponto de vista geográfico. Os amigos que fiz aqui me acompanham em comemorações e saudades. Enfim, minha vida se transformou, consolidando o que meus amigos já sabiam: sou professora! Continuo estudando muito, afinal, essa é uma característica da Escola da Vila: uma instituição que aprende, que se reinventa o tempo todo, que enfrenta seus obstáculos com estudo, transformando-os em novas vitórias.

35 anos. Que sejam mais 35 e mais 35, formando “gente bacana” e abrindo portas para outros sortudos como eu! Parabéns!!!


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Kallyne e Alexandre Ciorciari

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Por Kallyne e Alexandre Ciorciari

E a nossa história é tão romântica que não poderíamos deixar de relatá-la.

Nossa pequena GIULIA, a essa altura no G3, foi mordida na boca por um cão da família! Não queria ir para escola, pois todos perguntariam o por quê do curativo, dos pontos no lábio. Tive uma conversa rápida com a coordenadora logo na entrada, que já sabia das dificuldades da nossa pequena em compartilhar coisas de casa com a escola e vice-versa. Como esperado, me tranquilizou dizendo que conversaria com a professora para ficar atenta, colocar-se à disposição para falar do assunto se achasse necessário, mas o que nós, pais, não esperávamos, é que essa preocupação da escola perduraria. Meses depois recebi uma ligação da coordenadora, Dayse, contando que a professora, muito habilidosa, aproveitou uma situação que ocorreu com um dos alunos que havia chegado à escola com o queixo suturado e ansioso para contar aos colegas. Imaginem que a professora fez uma roda de conversa para que todos ouvissem a história dele, e também contou uma experiência, dela mesma, semelhante à dele, abrindo espaço para mais alguém contar uma experiência parecida. E, adivinhem?! A GIULIA contou com detalhes o ocorrido, e a coordenadora, ansiosa em me contar a conquista da Giu, me ligou imediatamente, assim que soube.

Parceria assim no processo de desenvolvimento dos nossos filhos não tem preço!!!

Como boa escola que é, não ficamos com esse episódio somente. Vou relatar mais um que também foi excepcional!!!

Neste mesmo ano, 2012, faleceu o avô paterno. Achamos por bem manter a rotina dela daquele dia, pois ir à escola seria menos difícil que ficar o dia no velório. Contamos com a mãe de uma amiga da GIULIA para levá-la à escola.

Ligamos avisando a secretaria do ocorrido, até para a professora não ter surpresas com qualquer possível mudança no comportamento da Giu. E a coordenação, na época, a Dayse, me retornou minutos depois. Declarou o seu pesar pela perda e de quebra ainda nos enviou um texto maravilhoso que trata de morte e de como conversar sobre essas perdas com as crianças! Quanto acolhimento! Que parceria! Obrigada ESCOLA DA VILA!


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Vilaline

Por Aline Gasparini Montanheiro

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Começamos pequenasaline_1
Grupo 1, 2, 3, 4. “Pré”, não!
Sala grande, porta azul abobadada
Cantos, cabaninha, roda…
Banquinhos azuis com furo no meio
Tanque de areia e brinquedão
Grupos, histórias, recontos
Leitura, biblioteca, apresentação

Era uma vez
A alfabetização construtivista
Que reescrevendo histórias
E informando de um polo a outro
Tomou forma e criou sentido
Tornando-se clássica
Quase como a Grécia Antiga aline_2

Aguça-se o gosto pela leitura
Mas de ir ao parque não vemos a hora
Inscrevemo-nos nessa tessitura
Tal como imigrantes
Tateando nossa própria memória

Dos mamíferos aos microorganismos
Da primeira prova à tabuada pensada
Do jornal à poesia
Dos anos 60 aos quilombos
E na arte encontramos moradia

Como a gente cresce…
Fica crítica, analítica, moderna e contemporânea
Tipo um Outsider
Tenta se controlar
Mas não consegue
Bora pra Ubatuba, Paraty ou Petar aline_3
Que tudo segue

Aquela do início
Não é mais a mesma
Muitos por ela passaram
Alguns ficaram
Outros ainda virão

Mas Ensino Médio é preciso
Sem alívio, mais pressão
Não pode olhar pra trás
Senão perde o ar
Ainda tem que pensar
No vestibular!

A tal da bolinha
Saiu da caixinha
Está diferente
Abriu mais a mente marca
É professora
Aluna de outrora
Pra escola voltou
Aqui estou!

- Você é filha da Vila?
Perguntou alguém.
A questão talvez seja:
- Essa história é de quem?


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Aurea

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Por Áurea Trigo, telefonista da Escola da Vila

Memória é invasora, memória me acorda no meio da noite, me sacode no fim do dia, soprando no ouvido: “Conta aquela: vão gostar, não duvido…” (Augusto Boal)

Cheguei! Na Escola da Vila.

“Senti o frescor das árvores e o acolhimento do canto dos pássaros assim que cheguei ao seu portão”. Entrei e adentrei.

Depois disso, fui ficando, ficando, e já conto com vinte anos de trabalhos prestados no setor de telefonia da escola.

Entre tantas histórias vividas na Escola da Vila, vou escrever sobre um assunto que mexe com todos os seres humanos. Algo que gosto de fazer, pois sei que, com esse gesto, posso proporcionar momentos de alegria e prazer. Um belo prato com comida fresquinha, saborosa e feita com muito carinho. Fiz um combinado com minhas colegas do administrativo: nas férias de julho, em uma sexta-feira de muitas vividas neste vinte anos, eu faria um almoço para todas elas. Compartilharia meus dotes culinários e também seria uma forma de provar o meu bem querer por todas elas. Nosso almoço teria um cardápio para agradar a todos os paladares. Eu seria a cozinheira. Tudo combinado e, já que o assunto é comida, fizemos uma “vaquinha” para a compra de todos os ingredientes.

Caprichei no cardápio escolhido. Cação ao molho de camarão com arroz branco soltinho, purê de mandioca com leite de coco. Salada completa. As sobremesas, escolhidas por todos: doce de abóbora, cocada mole de colher e queijo branco fresco, torta de limão. Essa parte preparada toda em minha casa, para ganharmos tempo no preparo do almoço.

A cozinha ficava em ebulição total. Das panelas e das pessoas. Quando os aromas dos temperos do alho e da cebola subiam ao ar, espalhavam-se pela escola, esticando-se até as salas onde elas estavam trabalhando. Logo a cozinha estava cheia de “degustadores oficiais”. Entravam e diziam: “Se você não me deixar provar, vou ter um treco! Vou passar mal! Tô com fome!” Voltavam para suas salas com uma “provinha da comida”.

Próximas à cozinha, ficavam as salas dos grupos com suas mesinhas e cadeirinhas, e lá foi organizada a grande mesa para o nosso banquete. Chegou a hora de servir o tão esperado almoço. Todos sentados rindo, dizendo que, finalmente, estavam passando até mal de tanta fome! Servimo-nos dos alimentos todos ali juntos. Naquele dia, contamos muitas piadas, rimos tanto, tanto. Acredito até que só por estarmos usando o espaço e as mesinhas dos alunos, viramos naquele momento, também crianças, podíamos rir sem sermos tão severos adultos!

Passamos horas assim juntos. Ou foi só uma hora? Foi tão bom! Que deixamos agendado o próximo almoço. Passei o cardápio, Frango no Ninho. Todos concordaram, já imaginando sentir o aroma delicioso que iria exalar da cozinha.

Cada um cuidou de lavar seu prato, seu talher, limpamos tudo, e a cozinha de repente voltou ao normal do dia a dia. Agora na cozinha invadia o aroma do café coado. Impossível evocar as lembranças queridas sem me emocionar.  Trazer à minha memória o rosto de cada colega e seu riso feliz, dizendo: “Muito obrigado! Estava uma delícia!”.

Hoje já não fazemos mais esses almoços de férias, mas ficaram gravados em meu caderno de receitas todos os pratos que fiz. Os que agradaram mais o paladar de cada colega. A Rô, com o creme de mandioquinha com salsão e bacon. A Vera, com o macarrão à pizzaiolo e a macarronada à bolonhesa. A Cida, com a costelinha assada no vinho e as batatas sotê. A Luzinete, com o Yakisoba. A Dona Nenê, com o arroz e a couve. A Sílvia, com a feijoada, o peixe, o frango xadrez, a berinjela no forno e um quiabo com polenta recheada. Acho que era a mais fiel fã da minha  gastronomia.

Quem quiser ainda tenho as receitas.

Obrigada à minha querida diretora Ana Maria Cerqueira, que sempre participou desses nossos almoços e durante eles rimos muito.

A propósito, ela adora um delicioso pastel e uma gostosa sopa de agrião.

Aproveito para aqui agradecer e parabenizar as diretoras da Escola da Vila por seus trinta e cinco Anos de Vida com vidas.


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andrea_monteiro

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Por Andrea Monteiro

A Vila tem uma história interessante com a minha vida. Tenho uma irmã pedagoga que hoje está com 45 anos. Quando éramos estudantes, ela chegava tarde da noite algumas vezes em casa e, como dividíamos o mesmo quarto, muitas vezes ela comentava que tinha ido fazer um curso na Vila. E assim aconteceu por diversas vezes.

Na minha cabeça, a Vila era uma central de cursos para professores e estudantes de magistério, nada além disso.

Passados 8 anos, eu me casei, e minha enteada estudava na Vila, Marina Monteiro, e sua mãe era professora de História da Vila, a Conceição. Foi aí que entendi que a Vila era uma escola, Escola da Vila.

Dois anos depois, nasceu minha primeira filha, Beatriz Monteiro, morávamos na época em Moema, e ela acabou estudando a pré-escola num colégio do bairro.

Quando ela tinha 7 anos, mudamos para o Alto de Pinheiros e, de repente, eu estava matriculando minha filha naquela Escola da Vila que eu achava que era uma Central de Cursos para pedagogos… Acabei colocando ela na Vila sem nenhuma referência, o objetivo único era que as duas irmãs estudassem na mesma escola, já que, na época, não moravam juntas e era uma forma de mantê-las mais próximas.

A Bia foi aluna da querida Andrea Polo, logo no primeiro ano do ensino fundamental. Que sorte foi a nossa de ter essa professora de cara. A Bia saía da sala toda hora porque queria ir ver a irmã mais velha. Lembro-me da Andrea me dizendo que “tudo bem, isso ia passar e etc…”, o que, de fato, passou.

Na 1ª reunião que fui à escola, eu não conhecia ninguém. Uma moça que depois eu descobri que era a mãe da Julia Ferraz, colega da Bia, num determinado momento, comentou numa rodinha de mães: “Nossa, a Vila é tudo pra mim, essa escola é maravilhosa”. Nem me lembro em que contexto aquilo foi falado, mas fiquei impressionada naquele dia com tantas manifestações positivas em relação à escola.

Passaram-se meses e eu fui me enturmando com as mães, crianças e a própria escola. E aí descobri o porquê do encanto com a escola. Entre tantas qualidades, a Vila tem a maior e mais importante para uma criança no início de sua vida escolar – ela é uma escola verdadeiramente acolhedora. Ela acolhe a criança como nenhuma outra faz. Ela aceita as diferenças e é uma escola de inclusão de verdade.

As pessoas que escolhem colocar seus filhos na Vila não podem ser arrogantes, afetadas, fúteis, simplesmente porque isso não combina com a escola. Essas pessoas não permanecem na escola, não tem como. Os pais da Vila são pessoas inteligentes, simples, a maioria bem sucedida, inclusive, mas isso não é relevante pra ninguém. Aqui o que importa é a convivência desinteressada e harmônica entre as pessoas, sejam pais, sejam filhos.

Em 2014, a Bia viajou com a escola em razão do intercâmbio com a Argentina. Fui buscá-la na escola e um pai que eu nem conhecia me falou, enquanto esperávamos a van chegar: “Como eu sou feliz de ter podido proporcionar ao meu filho que estudasse nesta escola.” Sinceramente, fiquei tão comovida na hora com tamanha demonstração de carinho pela escola que nem perguntei quem era o filho dele.

Marina fez grandes amigos na Vila, está hoje com 19 anos e entrou na POLI em 2014. Apesar de sempre ter gostado mais da área de exatas, adora literatura, lê muito, e eu tenho certeza de que ela aprendeu isso na Vila da forma mais prazerosa possível. Tem um carinho especial pela escola e, com certeza, vivenciou momentos inesquecíveis na Vila.

Enquanto escrevo esse texto, obviamente me vêm tantas lembranças à cabeça, como festas juninas, reuniões, peças de teatro, a palestra sobre “Luto” num ano difícil da sala da Bia (o que foi uma demonstração enorme de carinho e preocupação naquele momento com os alunos), entre tantos outros.

Não posso deixar de escrever que a Bia pediu pra sair da escola no 1º ano do ensino médio – queria uma experiência diferente e nós, pais, respeitamos a decisão e aceitamos sua saída. Passados 5 meses, a Bia começou a ficar triste. Um dia confessou que estava morrendo de saudades da escola e dos amigos. Lá fui eu pedir clemência ao Fermín, outra pessoa doce e maravilhosa que um dia a Vila contratou. Ele nem hesitou – “pode voltar”. E foi a melhor coisa que fizemos. Em uma semana, ela era outra pessoa.

Este ano é o último ano dela na Vila. Não quero nem pensar na formatura. Já fico emocionada só de escrever essa palavra.

Como ela foi feliz nessa escola, que saudades vou sentir da turma dela se reunindo em casa: o Tatá, a Clarinha Orfão, Marina Perez, Bruno, Karen, Lara, Gui, entre tantos outros. Aliás, inesquecível o discurso do Gui no aniversário de 15 anos dela. Só quem ouviu pode descrever. Tenho certeza que eles serão amigos pra vida toda, ainda que cada um vá seguir seu caminho. Espero que esse seja um dos grandes legados que a Vila vai deixar pra eles.

Por fim, diante de tantos bons momentos de que acabei me lembrando, escrevendo esse texto modesto, mas feito com muito carinho, só posso agradecer ao destino por ele ter colocado a Vila no meu caminho, e dela ter sido minha parceira na educação formal e emocional de duas garotas que se tornaram meninas maravilhosas.

Um beijo enorme a todos vocês e parabéns pelos merecidos 35 anos de história.


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#35anosescoladavila

Uma parceria que rende bons frutos: comunicação e tecnologia.

Por Helena Mendonça, Pérola Setton e Garfield (Alcides Honório) 

É tempo de relembrar a história da Escola, e os acontecimentos recentes também merecem um lugar de destaque nos 35 anos da Vila.

Apesar de atuarmos em setores distintos, Helena, da Tecnologia Educacional, Pérola, da Comunicação, e Garfield, da Tecnologia da Informação, formamos uma equipe que trabalha intensamente, com reuniões quase que semanais, whatsapp fora de hora e conversas de corredor.

Estamos na escola há mais de cinco anos, e já enfrentamos desafios que demandaram tempo, paciência, muito planejamento e calma, muita calma. Um deles foi a publicação da última versão do site da Vila, finalizado em 2014 e comemorado com deliciosos bombons de cereja (com licor! – o RH que não nos ouça!)

novo site da Vila

E, nos horários de almoço, às vezes até em alguns horários de reunião (será que a Direção está lendo este post?), ainda encontramos tempo para assuntos menos ligados a nossas funções, como aconteceu com os ensaios para nossa apresentação no Festival de Poesia, que nos rendeu um certificado de menção honrosa!

Festival de Poesia
O  pulso ainda pulsa”, Festival de Poesia, 2012

Assuntos que envolvem o uso dos ambientes virtuais da escola, ora para  estudo, ora trabalho, ora comunicação, sempre precisam de vários olhares, conhecimentos e diferentes experiências e, com essa parceria, temos conseguido avançar em várias frentes.

Temos muitos desafios sempre, e sabemos que ainda teremos muitos mais. Aliás, um dos últimos foi o aplicativo da escola, que será divulgado nos próximos dias. Aguardem!

Que venham, então, os próximos 35 anos!


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adriana

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Por Adriana Barros Vieira, setor de editoração gráfica

Pensei em muitas coisas para compartilhar…

Sem dúvida, existem muitos momentos marcantes, emocionantes, de correria…

Vim para a Vila através de uma pessoa muito amada e importante na minha vida. Trabalhava em um lugar estressante, que consumia toda minha energia. Sem horário certo, sem amigos, sem companheirismo… Aí, de repente, venho para uma entrevista e me vejo em um lugar como este! Uma escola que às vezes não parece escola, com árvores, recantos aconchegantes, ar de sítio! Como não se apaixonar?

Porém, dentre tantos momentos importantes, o que me ocorre foi um especialmente engraçado e divertido! Era inverno e, coincidentemente, estava de roupa toda escura, calça preta e bota preta por cima da calça. Fui pegar um café na copa e passei pela Educação Infantil. Tinha um pequenino brincando no brinquedão! Ele chegou perto de mim e perguntou: “Qual o seu nome?” Eu respondi: “Adriana.” E aí ele, com uma carinha indescritível, disse: “Diana, nossa! Você parece um dinossauro que faz TUM! TUM! TUM!”. E imitou com olhinhos expressivos as grandes pegadas do dinossauro! Como resistir a uma cena dessas?

O que mais me marca aqui é ver essas carinhas!


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caio
Reencontro de professores e amigos na OlimVila 2015

Reencontro de professores_

Lembranças de um ex-aluno

Por Caio Rizek

Cheguei à Escola em 1990, quando nascia o Colégio Fernando Pessoa, a partir da extinção do Colégio Gávea.

Passei todo o período do ensino médio e fundamental. Muito tempo? Diria que passou muito rápido. E marcou a minha vida de forma permanente.

Conheci amigos com os quais até hoje adoramos relembrar as histórias dessa fantástica Escola. A propósito, logo me vem à memória uma explanação da colega Paola numa das aulas de Filosofia da Professora Wânia (lá pelos idos de 1995): “Para mim não existe melhor amigo. Ou é amigo ou não é. Se é amigo, não é melhor do que o outro”. Por isso digo que tenho verdadeiros amigos “do tempo do colégio”.

Lembro-me de chegar em casa diversas vezes com o maxilar dolorido, por causa de tantas risadas que dávamos na Escola.

Dizia para os meus amigos que não era uma escola, era um clube, um parque de diversões.

Eis que, de repente, surge um temor: o Colégio seria “comprado” por uma tal de Escola da Vila e perderíamos a nossa identidade…

Creio que isso não tenha ocorrido. Vejo o Colégio Fernando Pessoa como embrião do ensino médio da Escola da Vila, fundação/estrutura da Unidade Morumbi.

Por isso compartilho algumas histórias que “prepararam” o terreno para a incorporação “Vila-Pessoa” (fase de transição) e construção da Escola da Vila – Unidade Morumbi.

Havia um galinheiro.

Onde hoje se situa o laboratório de ciências, havia um modesto galinheiro (cerca de 15 galinhas) e a diversão era pegar as galinhas e cuidadosamente soltá-las por sobre as grades do galinheiro, para observar o seu (breve) voo; quando pousavam eram recebidas pelo galo com muito carinho.

Os pés de café, resquícios do que talvez tenha sido um enorme cafezal, abasteciam com abundância nossas “guerras” de bolinhas inofensivas.

Onde era servido o cachorro-quente da Dona Conceição, hoje se encontram as salas das coordenadoras pedagógicas e o almoxarifado.

A enorme caixa d’água, bem alta e com uma escadinha aparente (nunca tive coragem para subir até o seu topo), deu espaço ao “Parlatório”.

A quadra era descoberta, sem qualquer tela/grade lateral. A bola ia para o mato, literalmente, mesmo que o jogo não fosse de campeonato.

Durante os jogos intercolegiais (hoje a tradicional “Olim-vila”) alunos de outros colégios diziam que praticávamos “chute-mato”, “hand-mato”, pois era cercada por árvores (bananeiras, entre outras) e mato. Mas como não lembrar que o nosso handebol era temido por todos os outros colégios? Ninguém podia com a gente. Também, ter um professor de educação física membro da comissão técnica da seleção brasileira de handebol…

O mesmo Professor Washington, que trouxe a medalha de prata da Seleção Brasileira de Handebol, conquistada nos Jogos Panamericanos de Cuba em 1991, hoje membro da comissão técnica da seleção que disputou o campeonato mundial de 2015 realizado no Catar. Seria muita pretensão traçar um paralelo entre a evolução da Escola e a do Catar? #ficaadica

Como evoluiu o Terrão, espaço que descobrimos para jogar bobinho e “chute-basebol”! Ficamos muito felizes quando recebeu 02 (duas) traves de madeira e se tornou um campinho (isso em meados de 1991). Hoje a quadra poliesportiva ao lado da cantina, com piso cimentado, iluminação, cercada. Maravilha!

Quem poderia imaginar que as salas da diretoria e de artes, três pequenas salas com telhado aparente, sem forro, dariam espaço para o prédio onde se encontram o departamento administrativo, a notória biblioteca e o belíssimo auditório?

A Professora Chacur foi muito além das aulas de matemática e hoje é coordenadora da Escola. Assim como a professora Inês, de geometria.

O Professor Márcio (educação física) sempre foi uma “figurassa”. Duvido que alguém possa não achá-lo muito divertido. Nunca fui um aluno muito comportado, gostava de conversar durante as aulas… Mas adorava as aulas de educação física. Certa feita, algumas colegas estavam conversando e “atrapalhando” as explicações do Professor, justo na minha aula preferida. Não tive dúvidas. Disse com “autoridade”: “Mima (apelido da Marina), você vive me pedindo para ficar quieto nas aulas de biologia. Então agora fica quieta, porque eu quero ouvir o professor!”. Foi a única vez na vida em que eu pedi para um aluno ficar quieto e não atrapalhar um professor.

Diante de tanta evolução, hoje enxergo que havia, “no meu tempo”, um espaço semiexplorado. É visível a profissionalização/evolução Escola, mantendo DNA/essência/valores de escola inclusiva, que não se preocupa apenas com o vestibular, mas sim com a formação de pessoas, assim como foi o Colégio Fernando Pessoa.

E, de repente, meus filhos frequentam o mesmo espaço, mais moderno, melhor adaptado… E com quadra coberta! (Sempre foi meu sonho poder jogar bola na escola mesmo em dias de chuva.)

Nas proximidades do galinheiro, meu filho achou o tesouro da turma do Grupo 3, no dia em que ficaram até de noite na Escola (atividade de convívio).

O Terrão está tão moderno que lá são instaladas as barracas da festa junina.

Na quadra coberta/ginásio, é celebrado o Dia do Esporte, quando meus filhos praticam esportes, fazem apresentações de capoeira, tem quadrilha de festa junina mesmo na chuva… Fui muito gratificante poder jogar bola com o meu filho no ginásio. Passou um filme na minha cabeça. Eu dizia para ele que naquele local não havia teto, nem grades, e, quando chovia, a gente secava a quadra com rodos para poder ter aula de educação física… Ele fez cara de quem achou isso meio estranho.

Ainda me sinto em casa nesse espaço e é com muita alegria que levo meus filhos todos os dias para essa Escola fantástica (eles adoram!), tendo a certeza de que é o melhor que eu posso fazer por eles.

Estas são algumas lembranças de um ex-aluno, pai de alunos (quem sabe um dia avô de alunos) desta Escola da vida.


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Debora Delmaschio Crotti

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Por Débora Delmaschio Crotti

Todos os filhos são especiais… Têm sua marca registrada no jeito de olhar, na singularidade dos gestos, nas manias, nos dengos, no sorriso…

Mano é especial por todos os quesitos mencionados acima e por mais um… Tem Síndrome de Down…

Assim começa nossa história com a Vila.

Chegamos aqui pelo forte histórico da escola no trabalho de inclusão. Nós, pais despreparados de primeira viagem, não sabíamos por onde iniciar…

Sabíamos apenas a nossa missão: apresentar o mundo à Manoela. Para isso, qual a premissa básica? Encontrar uma escola que tivesse como princípio respeitar sua individualidade e não exaltar a sua diferença. Diferentes somos todos. Gostaríamos de vê-la, além de incluída, respeitada.

E foi… Devemos confessar que no começo não foi nada fácil.

O nosso medo ora nos paralisava, ora nos indignava, ora nos fazia criar uma redoma em torno dela. Gunga, determinada, nos ajudou a reconhecer o potencial de Mano. Nessa trajetória, tivemos muita sorte! Mano teve professoras incríveis, que guardaremos para sempre em nossos corações… Dani, Anelise, Miruna, Clara. Queridas. Fortes. Capacitadas. Competentes demais.

Em 2012, foi o momento da filha caçula entrar na Vila… Marina… Agora eram duas irmãs frequentando, democraticamente, o mesmo espaço!

De igual para igual! Isso consolidou a satisfação que até então relutávamos em reconhecer…

Passados 6 anos (entrando no sétimo), já conseguimos deixar Mano ir para o acampamento sem sofrer com um mês de antecedência. Ganhamos confiança nela e na escola.

Prestes a completar 10 anos, concluímos: Mano é uma menina que brilha! Quem a conhece pode, com certeza, confirmar: É linda! Cheia de vida, de atitude, de personalidade, de carisma, de luz… Vocês nos ajudaram muito na construção de sua autoestima. O mesmo acontece com Marina. O medo que sentíamos nos “primeiros passos” cedeu espaço para uma motivação sem fronteiras.

Vê-las crescerem assim, repletas de oportunidades e possibilidades, nos dá a certeza de ter feito a escolha certa.

Manoela e Marina. Uma dupla tão diversa, mas que se respeita acima de tudo!


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Ambientes que comunicam

Por Marisa Szpigel – Zá

Visualidade: vista, miragem, aspecto cambiante (do dicionário Michaelis). A visualidade dos espaços de todas as escolas pelas quais passamos durante nossa jornada em Nova York comunicavam significados. A visualidade não se apresentava apenas pelas exposições e pelos murais repletos de trabalhos realizados por crianças e jovens, mas também, e principalmente, pelo agir dos estudantes e professores nos espaços. Ambientes coletivos de trabalho, que muito se distanciavam do referente de uniformização e homogeneidade sem surpresas que normalmente estão relacionados ao ambiente escolar. Cada uma das escolas que pudemos conhecer oferecia lugares convidativos e que sugerem familiaridade, eles nos mostravam que foram construídos  ao longo do tempo pelos protagonistas  dos processos ali implicados, de modo a revelar singularidades e  construção coletiva simultaneamente.

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3Na escola Quest to learn todas as propostas são apresentadas aos alunos no formato de games. Observamos que os alunos utilizam os ambientes virtuais e reais  de acordo com a atividade. Não há uma sala  de aula por série, mas os alunos circulam pelas salas e cada professor tem sua sala. Os murais, repletos de produções de todos tipo comunicam os processos de produção. Além disso, chamou atenção o fato dos professores terem um espaço de trabalho (como mostra a primeira imagem) dentro da sala.

Assim como ocorre nos ambientes virtuais que se constituem por redes complexas e carregadas de informações, nessas escolas salas, corredores, bibliotecas e ateliês também se apresentavam como redes complexas, com poucos (ou nenhum) espaços vazios. Mais do que salas de aula e ateliês, os ambientes nos davam ares de laboratórios, onde a experiência e a investigação, os processos e as aprendizagens, são transparentes.

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Como gabinetes de curiosidade, objetos, comentários, reflexões, sistematizações, mapas  conceituais, fotografias, materiais e muitos trabalhos de arte  invadiam os ambientes dentro e fora das salas de  aula da Blue School.

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A cena está mais para gabinete de curiosidades e museu de tudo do que para museus especializados e separados por disciplinas e áreas. Está mais para museu-laboratório do que para museu-vitrine. E, novamente, vale frisar, assim como nas redes, a multiplicidade e a polifonia estavam sempre presentes nos ambientes por onde passávamos e eles nos tornavam imersos nos processos.

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Pode-se concluir que os ambientes reais reproduzem a complexidade dos ambientes virtuais, no entanto, o fazem em sua concretude, pois materializam os conteúdos presentes na vida de nossas crianças e jovens, que desde muito cedo estão em contato com os ambientes virtuais. O que ocorre é que os estudantes transitam com familiaridade na multiplicidade sem perigo de dispersões, estão habituados a perceber diversos estímulos simultâneos e abertos para experiências novas de contato e descobertas sensoriais que talvez, na contemporaneidade, só possam ser conhecidas no ambiente escolar.

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Na escola em que fomos visitar e conhecer mais de perto as propostas de Reggio Emília, materiais de todo tipo, desde os mais industrializados até os mais naturais são investigados pelos alunos em ambientes organizados pelos professores.  Os registros feitos pelas crianças durante o processo de produção são expostos nas paredes e  em murais.

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A visualidade dá visibilidade às transformações do mundo. Se as tecnologias digitais afetam as formas de perceber e compreender o mundo, isso implica em inventar novos modos de agir nele. Não se trata de substituir a argila por computadores. Vimos nos corredores que caixotes de madeira e carrinhos de tablets podem coexistir. O que mudou foi o modo de pensar, e cabe a nós, educadores, refletir sobre os diálogos possíveis. Como a tecnologia está (ou deveria estar) conciliada com a produção artesanal e o contato com as diferentes qualidades de matérias e materiais? Neste contexto, a arte apresenta-se como campo que potencializa entrelaces.

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Na Bank Street a arte invade todos os ambientes: salas de aula, corredores, biblioteca e ateliê. Durante as propostas os alunos trabalham autonomamente dentro da sala e pelos corredores. Os professores também, tanto os que estão ministrando as aulas quanto outro que estão realizando seus estudos e planejamentos, tornando transparente também o fazer docente.